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G.I. Joe – O Destruidor de Carreiras

Só não digo que “G.I. Joe – A Origem de Cobra” é a pior estreia de 2009 porque o ano ainda não acabou, e porque ainda tenho pesadelos com o terceiro “Efeito Borboleta” – mas como o verão americano já ficou para trás, e como o filme no topo da minha lista dos piores é meio café-com-leite (nos Estados Unidos foi direto para vídeo), posso afirmar de boca cheia que “G.I. Joe” é a pior superprodução recente. Não que possamos nos vangloriar dessa nova leva de blockbusters – este ano, só “Star Trek” e “Harry Potter” se salvaram, dando conta de agradar público e crítica. Isso confirma desde já o equívoco da Academia em permitir dez indicados ao Oscar de Melhor Filme, numa tentativa mal-disfarçada de incluir as fitas mais comerciais. Não pararam para pensar que um longa do quilate de “O Cavaleiro das Trevas” aparece uma vez a cada década, e olhe lá.

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Basta dizer que “G.I. Joe” é o mais grotesco entre a meia dúzia de concorrentes deploráveis. E que só não é uma perda total por causa de uma sequência sensacional nas ruas de Paris, passando pela Champs-Élysées e culminando na destruição da Torre Eiffel – cena que consegue ser mais empolgante do que o clímax do segundo “Transformers”, simplesmente porque o diretor Stephen Sommers (da série “A Múmia”) não tem fogo no rabo como Michael Bay (que cansa o espectador com sua câmera frenética e impede que as batalhas sejam assimiladas nos menores detalhes). Essa passagem encerra o primeiro ato de uma história bagunçada, confusa e sem graça, apesar de rasa como um pires. Mais sequências de ação são reservadas para o final, mas jogam ao meio disso surpresas e reviravoltas absolutamente ridículas, envolvendo personagens com quem o próprio roteiro não se importa, e para os quais, consequentemente, não damos a mínima (a quem se interessa em saber, a trama foi criada a partir daqueles bonecos G.I. Joe, sucesso de vendas nos anos 80).

E nada faz sentido. Assim como seu primo “Transformers”, “G.I. Joe” coloca todos os personagens relevantes dentro de uma ampla margem de segurança. Dessa forma, quando os vilões se infiltram no quartel dos Joes (militares treinados e equipados com bugigangas modernas que os ajudam a melhorar o desempenho no combate), matam a troco de nada uma secretária inofensiva, mas apenas nocauteiam o líder Dennis Quaid, que não lhes seria de nenhuma utilidade. Dão a chance para que ele recobre os sentidos e alerte os soldados de que foram atacados, tornando a saída dos vilões (que tinham roubado ogivas nucleares) conturbada e movimentada. Ou seja, a coerência é sempre dispensada em favor das cenas de ação, não importa o quão gratuitas ou mal cerzidas sejam elas. Também é inacreditável o nível do elenco, com um integrante mais canastrão que o outro. Quem mais sai perdendo é o protagonista Channing Tatum, constrangedor como o herói Duke – antes disso ele vinha mantendo uma carreira promissora, com boas escolhas e performances até memoráveis (como no ótimo “Santos e Demônios”). Agora está se sabotando com essa bomba, que explodiu ao mesmo tempo em que foi revelada uma filmagem antiga, onde ele aparece fazendo striptease num clube das mulheres. É, minha gente, o passado condena!

Se acabou, Channing. Boa sorte tentando recuperar o prestígio. Se quer um conselho: recuse o papel na possível continuação.

.:. G.I. Joe – A Origem de Cobra (G.I. Joe – Rise of Cobra, 2009, dirigido por Stephen Sommers). Cotação: E+

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Categorias:Cinema
  1. Weiner
    17 agosto 2009 às 5:14 pm

    Um filme que seja primo de “Transformers só pode mesmo ser um desastre. Esse eu só encaro no DVD e olhe lá.
    Abraços!

    • 17 agosto 2009 às 10:10 pm

      Weiner, pois eu já acho que se não for pra ver do cinema, melhor dispensar em DVD. Até porque o que vale é ver na tela grande, com som vindo de tudo que é lado. Na telinha, vai perder o impacto da sua única boa cena! Abraço.

  2. Alex Pizziolo
    17 agosto 2009 às 11:44 pm

    Passo longe…

  3. 18 agosto 2009 às 1:53 am

    Assino embaixo da sua resenha, Louis. Fui ver com um sobrinho e fiquei horrorizada com esse filme!

  4. Caroline®
    18 agosto 2009 às 1:57 am

    Ai, Louis! Eu ia (ou vou???) ver esse filme depois de amanhã! Agora nem sei mais….

    • 18 agosto 2009 às 2:16 am

      Alex, escolha inteligente, a sua!

      Jô, você ainda tem desculpa, foi acompanhando um sobrinho. E eu, que me meti nessa roubada por vontade própria? rsrsrs… E não aprendo!

      Caroline, se essa for sua única opção, não custa arriscar. Mas tem muita coisa melhor em cartaz, amiga. É só me passar a programação do cinema mais próximo a você que eu encontro uma alternativa! 🙂

  5. Caroline®
    18 agosto 2009 às 3:37 pm

    Escolha eu tenho, e várias, Louis. Era só uma memória afetiva – lembro do meu irmão assassinando seus bonecos G.I. Joe, e querendo fazer o mesmo com as minhas bonecas Chuquinha e Moranguinho….

    • 18 agosto 2009 às 7:07 pm

      HAHAHA Mas que bacana! Então, acho que quem costumava brincar com os G.I. Joes pode sair com uma impressão positiva, já que vai ver o filme envolvido no fator nostalgia. Por isso para o seu irmão deve ser uma boa pedida! 😉

  1. 7 dezembro 2009 às 3:53 am

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