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Nos Cinemas: A Vida Secreta das Abelhas

“A Vida Secreta das Abelhas” é baseado num best-seller de Sue Monk Kidd, mas passou despercebido nos cinemas americanos e chegou, sem alardes e com atraso, ao Brasil. Vi o filme há alguns meses no avião e aproveito a estreia nacional para comentar melhor. Começo chamando a atenção para o elenco, cheio de nomes conhecidos (Dakota Fanning, Paul Bettany, Queen Latifah, Sophie Okonedo, a vencedora do Oscar Jennifer Hudson e a cantora Alicia Keys), apesar de nenhum muito popular por aqui. E faço uma crítica ao trailer e ao próprio título, que prometem um filme fofo, bonitinho, apropriado para toda família e mais direcionado a meninas – quando na verdade é difícil e ocasionalmente violento, a ponto de receber censura 16 anos. Ou seja, ninguém dessa idade vai se interessar por assistir, enganado pela prévia.

secretlife

Começa de forma tensa, com a narração de Dakota, anunciando que matou a mãe num tiro acidental, enquanto presenciava, ainda pequena, uma briga dos pais partir para termos físicos. Logo em seguida, já com catorze anos, vai rezar escondida para uma santa negra a quem a mãe era devota, mas é descoberta pelo pai (Bettany), que supõe que ela estava transando e a coloca ajoelhada no milho. A ama Jennifer Hudson não demora também para ser espancada na rua por um grupo de brancos racistas (estamos no sul dos Estados Unidos no início dos anos 60, um inferno na Terra). Juntas elas vão fugir e encontrar abrigo na fazenda de três irmãs negras apicultoras, onde passam a trabalhar em troco de moradia (na embalagem do mel que elas vendem está estampada a imagem daquela santa, o que deixa a menina intrigada).

E continua nesse ritmo inconstante até o final. Quando começa a ganhar contornos mais leves ou ternos, surge outra cena pesada que provoca mais uma quebra no tom. No final acaba não dizendo muito: não consegue criar uma trama dramática sólida, tampouco associar a ela as transformações sociais que aconteciam, a passos de cágado, no país. Como é adaptação, ainda deixa a impressão de que as passagens do livro foram apenas pausterizadas (não li e não posso confirmar), já que muita coisa acontece sucessivamente, sem dar um tempo para o público digerir ou assimilar (há inclusive a morte de uma personagem importante, e um período de luto comprimido por uma montagem acelerada, que não permite que as consequências da tragédia sejam sentidas). Também acho um desperdício terem reunido três cantoras profissionais – Queen, Jennifer e Alicia – e não terem explorado esse talento (o filme é ponderado por canções melosas e contemporâneas demais para a época – não estamos em “Maria Antonieta”! Um jazz seria muito mais apropriado).

Mas a diretora e roteirista Gina Prince-Bythewood tem algumas ideias boas e a capacidade de executá-las. Reparem, por exemplo, no plano em que a mãe de Dakota, num flashback narrado pela Queen Latifah, se abaixa ao sair do ônibus, deixando o espectador na expectativa para descobrir se ela estava dando a mão para a filha pequena (ou seja, se levou a garota consigo) ou se estava simplesmente apanhando a mala (ou seja, se a abandonou). Ainda que irregular, esta é uma história contada com desvelo, e muito favorecida pela excelência dos atores – se Alicia Keys ainda está insegura, todos os colegas de cena estão irretocáveis, até a Jennifer Hudson, que de “Dreamgirls” ao filme de “Sex and the City”, é mesmo uma canastrona. E Miss Fanning está crescendo mal, mas continua boa atriz a danada! Conclusão: os manteigas derretidas da vida devem conferir, apreciar e até se emocionar.

.:. A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees, 2008, dirigido por Gina Prince-Bythewood). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 16 agosto 2009 às 1:36 am

    Eu assisti a um 5 meses atrás e a conclusão a que chego é que este é um filme esquecível, pis não lembro quase nada dele, e não existe nada pior pra um filme que indiferença, pois mesmos os que a gente detesta, te marcam de alguma forma. Este passou batido. Só lembro mesmo que o elenco estava ótimo. Só não gostei mesmo da Sophie Okonedo, achei ela meio caricata.

  2. 16 agosto 2009 às 2:19 am

    Ah, Louis não querendo puxar um assunto nada a ver com a história, mas tu viu o “Hung” desta semana 01×06? Vou te dizer, que talvez seja o episódio que vai marcar uma nova fase da série. Este episódio teve ritmo (algo que tava faltando e muito na série), foi mais engraçado, avançou um pouco no personagens. E sinceramente to torcendo sinceramente pra Jemma se tornar fixa no elenco, pois ela já virou minha personagem favorita. Mas tbém, como já comentei, os personagens da série são bem fraquinhos, logo quando surge um mais interessante, dá um diferença significativa.

  3. Alex Pizziolo
    16 agosto 2009 às 6:20 am

    Nem vi o filme, mas pretendo…
    Só passei pra elogiar o novo lay!
    O melhor até agora!
    Please, don’t change!

    • 16 agosto 2009 às 9:15 am

      Régis, nós, que geralmente concordamos em tudo, vamos discordar de TUDO dessa vez rsrs… Okonedo foi, na minha opinião, a mais notável do elenco – tenho uma admiração especial por essa atriz, desde Hotel Ruanda, pelo qual merecia o Oscar a que estava indicada, passando pela minisserie da HBO Tsunami, onde mata a pau! E é inglesa, não deve ter sido fácil incorporar a americana sulista! Quanto a Hung, vi e avaliei o sexto episódio na página das Séries. Também discordo, não gostei do episódio. Acho que a Jemma foi uma ótima adição, mas o final foi péssimo, parecia uma reviravolta bocó de filme da Sessão da Tarde, com o coach fazendo um discursinho clihê e tocando os atletas. Ai ai rsrsrs…

      Alex, coloquei esse novo para experimentar. Já que gostou tanto assim, prometo deixar mais um pouco! 🙂

  4. 16 agosto 2009 às 2:22 pm

    Sim, o discurso do “Hung” pro time eu tbém detestei, mas adorei o fato de esse episódio ter tido ritmo, ter descido bem mais fácil que os outros… e como disse, adorei a Jemma.

    Essa minissérie, “Tsunami” nem tinha ouvido falar. É boa?
    Eu gosto da Okonedo, só não gostei dela neste filme, mas acho ela uma ótima atriz tbém…

    Ah, tbém gostei bem mais deste layout, que o anterior.

  5. 16 agosto 2009 às 5:53 pm

    esse eu pretendo ver somente em DVD.
    mas deve ser ótimo.
    abraço 🙂

    • 16 agosto 2009 às 7:26 pm

      Régis, essa minissérie é original da HBO. Tem um elenco excepcional, com nomes como Tim Roth, Chiwetel Ejiofor, Toni Colette e a própria Sophie. O nome correto é “Tsunami: The Aftermath”. Eu até comentaria melhor num post futuro mas preciso rever – muitos detalhes já me escapam. Mas se te apetece, fica aí a dica! 😉 E vou manter o lay! o/

      Jeniss, nem tanto. Espere por um filme bonzinho que não vai se desapontar. E vale esperar o DVD! Abraço.

  6. 17 agosto 2009 às 12:09 am

    Este filme parece que não é excelente, que é bem clichê, mas eu quero assistir por causa do elenco e porque adoro histórias assim, em que as pessoas vão em busca de suas origens e de se compreenderem.

    Beijos!

    • 17 agosto 2009 às 3:01 am

      Ka, também gosto desses filmes meio água com açucar – desde que não estrapolem nas colheradas e não se tornem amargamente doces, como é o caso do recente O Som do Coração. A Vida Secreta das Abelhas se preocupa em balancear essas convenções bobinhas com momentos mais fortes, só que não faz isso muito bem. De qualquer forma, dê uma conferida! Beijo.

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