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Angelina, Angelina

Quando comentei no post anterior que a HBO mais acerta do que erra estava me referindo às séries originais do canal. Em relação aos telefilmes ou minisséries, o balanço das coisas boas e ruins fica mais equilibrado. Se ainda tenho fresco na memória os geniais “Angels in America” e “John Adams”, também me lembro do belo “Warm Springs”, do apenas regular “Vida e Morte de Peter Sellers”, ou então dos fraquíssimos “Juntos Pela Vida” (Globo de Ouro e SAG para Queen Latifah) e “Gia – Fama e Destruição” (os mesmos prêmios para Angelina Jolie).

gia

Revi “Gia” depois de muitos anos para confirmar a minha impressão de que Angelina tem aqui um de seus melhores trabalhos. Ela já foi uma atriz inspirada, mas sabe-se lá onde deixou esse talento. Depois de uma maré de sorte, só pegou papel ruim e bateu recorde de indicação ao Framboesa de Ouro (Razzie), a paródia das premiações sérias que elege os piores do ano no cinema. Passou de torta e esquisita à sexy e malandra, de introspectiva à extrovertida, de simpática à antipática e daí para simpática de novo. Amadureceu, se afiliou a ONG’s, roubou o Brad Pitt da Jennifer Aniston e junto dele ajuda a passar a imagem de que é muito fácil sair por aí adotando criança – só não mencionam que os dois são milionários, com condições de contratar três babás individuais para cada rebento. É absurdamente atraente, tem presença marcante e aquece qualquer evento em que comparece com boas doses de expectativa. E ultimamente, deu para voltar a escolher as personagens que interpreta com maior seriedade. Mas nessa nova fase, com “O Preço da Coragem” e “A Troca” (que lhe renderam indicações consecutivas às principais premiações, inclusive ao Oscar por este último), ainda não voltou a atingir, como atriz, a voltagem alcançada com “Garota Interrompida”, “Corações Apaixonados” e este “Gia”, a produção original da HBO.

Aos desinformados, trata-se da biografia convencional de uma top model, a Gia do título. Ela super acontecia no final dos anos 70 e começo dos 80; era espontânea, vulgar, atirada, white trash, diferente das colegas de profissão, todas certinhas e apáticas (me pareceu meio rebelde sem causa, já que só no comecinho temos indício de que sua infância foi problemática – ainda assim é pouco, ela apenas testemunhava algumas brigas dos pais, nada fora do comum ou violento). Depois que cresceu foi para Nova Iorque, passou a cheirar pó pra chulé e a ter casos lésbicos, o mais duradouro deles com uma fotógrafa (Elizabeth Mitchell, a Juliet de “Lost”). O público masculino deve se interessar ainda pelas cenas de nudez e carícias entre as duas. Pois então: a Gia aprontou e aprontou até um desfecho inevitável, a morte por AIDS, que contraiu ao se injetar com agulhas alheias no auge do vício. A história é contada naquele formato de falso documentário, como Ron Howard fez recentemente com “Frost/Nixon”; usam como base supostos depoimentos dos colegas e anotações autênticas dos diários da moça. Mas reparem que este artifício já é discutível quando bem empregado, que dirá quando utilizado dentro de um roteiro esquemático, até confuso em suas passagens de tempo (algumas cenas são rodadas em branco e preto, como as das sessões de foto – e as tais são pra lá de bregas, com os costumeiros excessos de zooms e closes, dignos de novela da Globo; acabam servindo mais para Angelina esbanjar sua fotogenia). Em meio a essa bagunça, Miss Jolie faz o que pode, e prende a atenção com uma performance interessante, cinética, esforçada (talvez ajude o fato dela ter sido naquela época tão desvirtuada quanto a Gia).

Quem duvida que Angelina já foi boa atriz deve dar uma olhada. Quem tem a curiosidade de vê-la pelada, também. E se isso não compensa por toda a experiência de assistir ao telefilme, passe adiante porque não tem muito mais a que se apegar.

.:. Gia – Fama e Destruição (Gia, 1998, dirigido por Michael Cristofer). Cotação: D+

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Categorias:Cinema, TV
  1. 13 agosto 2009 às 12:34 am

    Bom, eu amo essas outsiders do círculo de queridinhas dos críticos… Faço a festa com Jolie, Julia Roberts, Bullock, etc. Adoro as três. Em especial a Roberts. Nunca tirei tempo pra ver “Gia”, mas tenho vontade. E realmente, eu torço muuuito pra que ela continue escolhendo sabiamente os papéis dela, como tá fazendo ultimamente.

    • Aline
      15 março 2010 às 7:54 pm

      Engraçado rs. tbm so fã das tres entre elas tbm caio de amooores eternos pela JUlinha. adoro ela! 😀

      • Aline
        15 março 2010 às 7:57 pm

        Vo dizer uma coisa, eu acho esse filme maravilhoso apesar de ser um pouco mal feito é o melhor da Angelina na minha opiniao.e num qualquer q se submete ao q ela aceito p faze esse filme enfim axo q isso meresse um mérito. e tbm axo que os filmes da Angelina depois ficaram muito ruins . mas como fã to sempre vendo todos o filmes dela independentemente de ser bom ou não. o importante é que ela esteja no filme pra dar o brilho que só ela tem.

  2. Luísa
    13 agosto 2009 às 1:34 am

    Sou fã da Angelina. Reconheço que ela já fez muito filme ruim, mas está voltando a forma apesar do estrelato crescente. Gia foi um dos primeiros trabalhos dela que eu vi. Gosto muito, da interpretação e do filme.

    • 13 agosto 2009 às 1:43 am

      Régis, pois a minha antipatia com a Angelina é assumida e, creio eu, justificada. Ela tinha tudo, talento e beleza, e desperdiçou em filmecos esquecíveis ou até ofensivos. Agora está penando para voltar a ser levada a sério – isto é, como atriz, já que como personalidade é de um sucesso espantoso!

      Luísa, como acabei de dizer, não compartilho do seu amor pela Angelina, mas reconheço seus bons momentos. E este em Gia é certamente um dos mais inspirados dela!

  3. Fernando
    14 agosto 2009 às 5:11 am

    mano, soh pela angelina se pegando com uma mulher deve vale a pena! hauhshuashuahushuashuahsua

    • 14 agosto 2009 às 5:14 am

      Fernando, para quem tem esse fetiche é muito oportuno sim! rsrsrs…

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