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O Bem Dotado

A HBO foi a primeira rede de televisão a apresentar seriados que não deviam em nada para as produções de cinema – e depois que a TV aberta começou a seguir o exemplo (dentro de suas limitações, é claro), o formato ganhou o mundo e as séries americanas se tornaram o que são hoje: um sucesso absoluto, onde grandes atores, diretores e roteiristas acabam encontrando seu lugar ao sol. Por isso a gente perdoa alguns lapsos eventuais do canal, como “Tell Me You Love Me” (aquela pornografia disfarçada de programa muy muderno sobre relacionamentos) e “John from Cincinnati” (aquela do surfista, fofinha mas sem pé nem cabeça) – para cada erro há dez acertos, entre os quais obras-primas como “Família Soprano”, “A Sete Palmos”, “Roma”, “Carnivàle” e a recente “True Blood”. Outra novata, “Hung” (título literalmente traduzido como “Bem Dotado”), que é o tema deste post, ainda não se enquadrou em nenhuma dessas categorias.

hung

A primeira temporada mal começou (foram apenas seis episódios até agora), e por enquanto está pendendo para a mediocridade. Thomas Jane, o protagonista, é um ator mediano e quase atravessa a tênue linha que separa a safadeza da canastrice. Ele interpreta Ray, um sujeito infeliz cuja casa pegou fogo e que agora acampa no próprio quintal enquanto economiza para reparar os estragos. A mulher com quem estava junto desde o colegial (Anne Heche, a eterna ex de Ellen DeGeneres) o deixou por um homem rico (os filhos deles, gêmeos acima do peso, se juntaram à mãe depois do incêndio). Seu emprego como técnico de basquete da escola local é uma piada, não só pela baixa remuneração mas principalmente porque os jogadores que ele deveria treinar só chegariam à grande liga em caso de extinção, por doença ou hecatombe, de todos os adversários. Nesse beco sem saída, Ray participa de um seminário fajuto, que dá dicas que supostamente o ajudariam a se tornar um milionário. O primeiro passo seria descobrir seu ponto forte e transformá-lo em algo rentável – e o único atributo incontestável que ele tem é o tamanho do pênis. Uma poetisa fracassada (Jane Adams) que Ray encontra no seminário o ajuda a conseguir contatos (ou seja, atua como sua cafetina), e ele se torna gigolô. Só para mulheres, diga-se.

Com duração que não excede meia hora (só o primeiro episódio beirou a casa dos 45 minutos), “Hung” é uma comédia que não faz rir. Não que as tentativas de humor sejam ineficientes – são imperceptíveis, e a graça de determinadas situações é involuntária. As histórias ainda não engataram; são irregulares e discutíveis, e as tramas paralelas não tem muita conexão e não convergem juntas para boas soluções, como é de praxe. E apesar dos episódios serem contínuos, não te deixam desesperado para conferir o próximo assim que acabam. Apesar dos pesares, não deixa de ser uma distração agradável ou mesmo leve (feito raro para uma série que tem permissão para usar e abusar de palavrões, nudez e sexo – que aparecem, mas sempre dentro de um contexto e nunca de forma gratuita). Outro motivo para insistir é o nome de Alexander Payne, diretor e roteirista de “Sideways” e “Eleição”, que fez o Piloto e assina como produtor executivo. Então que tal dar uma chance? Afinal, a HBO merece este nosso voto de confiança.

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Categorias:TV
  1. 11 agosto 2009 às 6:32 pm

    Concordo plenamente com seus comentários. Também penso da mesma forma. É uma série leve para os padrões HBO, se levar em consideração The Sopranos, Deadwood ou True Blood, por exemplo. Mas é agradável e assistível, sem empolgar até agora, diferentemente da série do Alan Ball, que melhora a cada episódio e é a melhor da temporada, disparada.

    • 11 agosto 2009 às 7:17 pm

      Ibertson, de acordo. Meu queixo continua caindo a cada novo episódio de True Blood, enquanto Hung eu vejo por inércia e porque é curtinha, fácil de ver – mas não é o tipo de sensação que uma série novata deveria provocar. Nesse estágio, deveriam arrebatar e só mais adiante dar os possíveis sinais de cansaço e fragilidade.

  2. 11 agosto 2009 às 8:20 pm

    Acho que a Canastrice ajuda muito o personagem de Thomas Jane, sem contar o modo como ele controla o tom da voz entre a narração e sua atuação em pessoa.

    • 11 agosto 2009 às 8:55 pm

      Lucas, de fato ele sabe fazer essa diferenciação, mas em vários momentos ele oscila entre uma boa atuação e uma atuação histriônica e exagerada, com a excessiva pose de machão.

  3. 11 agosto 2009 às 11:27 pm

    Há um bom não tenho HBO, mas sei que o nível das suas séries é de primeira. Agora a sinopse desta “The Hung” não me agrada, teria que assistir para ter uma opinião.

    Abraço

  4. 12 agosto 2009 às 12:16 am

    Louis, eu fiquei curiosa para assistir ao programa quando li sobre ele, pela primeira vez. Mas, fiquei meio assim depois de ler seu post. De qualquer forma, vou tentar dar uma chance à série.

    Beijo!

  5. 12 agosto 2009 às 2:11 am

    Pois é… to assistindo “Hung” mais por falta do que fazer, do que por interesse… e como os episódios são curtinhos, por enquanto tá descendo… mas sinceramente, pra uma série da HBO tá deixando muuuuito a desejar… primeira que a série nunca engrena (assisti até o 5 episódio), ela tá realmente querendo pender pros clichés, os personagens são mal desenvolvidos (a ex mulher dele é um completo absurdo, dá pena ver a Anne Heche com um papel tão idiota, e a Jane Adams tbém tá num papel meio bobinho), várias situaçãoes são forçadas… ainda to esperando a série virar o jogo, mas ta demorando viu… se bem que, pra mim “Hung” é igual a “Weeds” (série que todo mundo adora)… pois “Weeds” eu também só vi a primeira temporada até o final por ser curtinha, pois meu Deus, aquilo nunca saia do chão… e claro, pra poder ver minha deusa Mary-Louise Parker em ação.

    • 12 agosto 2009 às 2:47 am

      Hugo, também estou sem HBO e há muito tempo baixo as séries para ver no meu próprio horário. Tente ver pelo menos o piloto de Hung para tirar uma conclusão. Abraço!

      Ka, a série pareceu mais curiosa quando li sobre ela do que quando vi a execução. Por enquanto está mediana, cheia de altos e baixos. Mas é uma boa diversão, ainda que esquecível. Estou insistindo e quem sabe o elemento genial apareça? Beijo!

      Régis, concordo em linhas gerais. Só faço ressalvas a Weeds, que gosto desde o primeiro ano – apesar de só na segunda temporada a série ter dado sinais de evolução. Mas esta ao menos sempre teve um ótimo elenco para compensar, enquanto Hung deixa a desejar nesse quesito também!

  6. V de Vingança
    12 agosto 2009 às 5:33 am

    o luis, blza cara?

    tive um problema com o nitzombies… agora tive que fazer um novo blog!

    entra lá pra dar uma olhada..

    a proposito, pode apagar o nitzombies da tua lista de links q ele já era! 😦

    abraços!

    • V de Vingança
      12 agosto 2009 às 5:33 am

      digo LOUIS! hehehe

      • 12 agosto 2009 às 3:02 pm

        Mas que pena, cara! 😦 Agora poste o link do seu novo blog para que eu adicione aqui!!

        Abraço!

  7. V de Vingança
    13 agosto 2009 às 6:18 pm
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