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Para quem ama ou odeia o Mágico de Oz

“Wicked” é um dos meus musicais preferidos da Broadway. Não me canso de ouvir a trilha sonora; as canções, de autoria de Stephen Schwartz (parceiro habitual do Alan Menken), são maravilhosas, especialmente se interpretadas pelo elenco original (sou fã confesso de Idina Menzel, vencedora do Tony pela sua versão da Bruxa Má do Oeste; e Kristin Chenoweth, a primeira Glinda, mais conhecida como a Olive de “Pushing Daisies”, é uma comediante nata e muito talentosa). Tinha assistido à montagem inglesa e já estava familiarizado com a história – que, dizem, vai ser levada para os cinemas muito em breve – quando peguei, para dar uma olhada, o livro de Gregory Maguire que inspirou a peça.

Idina e Kristin: as bruxas da Broadway

Idina e Kristin: as bruxas da Broadway

“Wicked – Maligna!”, ao contrário do musical, não é sobre a amizade de Glinda e Elphaba (nome que Maguire criou para a Bruxa Má a partir das iniciais do autor de “O Mágico de Oz”, L. Frank Baum). Aqui, a futura Bruxa Boa tem o peso de uma coadjuvante. Todas as atenções se voltam para a maligna do título, desde o seu nascimento até o desfecho da história original (a morte por “derretimento”, quando Dorothy lhe joga um balde d’água). Essa espécie de “biografia” procura contar a “história por trás da história”, ou seja, mostra o outro lado da moeda, sempre da perspectiva da Bruxa Má. E como a gente acaba descobrindo, de má, a coitada da Elphaba não tem nada: ela sofreu preconceito desde o dia em que nasceu, pela cor incomum de sua pele, verde; até seu próprio pai estava convencido de que a garota veio ao mundo sob influências malévolas. Ainda jovem, Elphaba também descobre que possui habilidades especiais – ela tem poderes que parecem confirmar a teoria do pai, e por isso passa a reprimi-los. Isto é, até sair de casa para estudar num internato com a irmã caçula, Nessa (que é paralítica e se locomove numa cadeira de rodas). A administradora da escola fica fascinada quando presencia uma demonstração do poder de Elphaba, e escreve para o Mágico de Oz contando tudo a respeito dessa adolescente extraordinária.

Nesse meio-tempo, Elphaba se torna colega de quarto de uma garota loira, arrogante, metida, fútil e popular chamada Galinda (futuramente Glinda). As duas se detestam logo de cara e vão se espezinhar em várias ocasiões, até porque se interessam pelo mesmo rapaz, Fyiero (que ganhará muita importância no decorrer da história). Mas eventualmente acabam se entendendo e se ajudando (Galinda é bonita e adorada, mas medíocre, sem talento; Elphaba é esquisita, tímida e discriminada, mas brilhante – e uma vai compensar as fragilidades da outra). Uma vez amigas, vão juntas conhecer o Mágico de Oz. E descobrem o que a Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão descobriram no conto original: que o Mágico é de araque, não possui poder algum e com base em suas mentiras controla o Reino de Oz com mãos de ferro. O Mágico espera se aproveitar dos poderes genuínos de Elphaba, mas ela, que tem muito bom coração, se recusa a ajudá-lo. Ele espalha, então, o rumor de que Elphaba é uma bruxa das trevas que precisa ser detida – estimula o pânico entre os habitantes de Oz e faz com que todos a persigam. Sem escolha, Elphaba foge para o Oeste (ganhando então o apelido pelo qual é bem conhecida). Galinda não pode se manifestar em favor da amiga sem arriscar ser perseguida também – e de cabeça baixa, volta para o internato, para mais tarde se casar com Fiyero.

wickedbookDaí em diante, Maguire vai revelar como se armou o cenário que nós encontramos com a chegada de Dorothy em Oz. Ele explica, entre outras coisas, a origem dos sapatinhos vermelhos; como a irmã caçula de Elphaba se tornou a Bruxa Má do Leste (essa sim realmente mal intencionada); como Galinda – outrora tão amiga de Elphaba – se tornou Glinda, a Bruxa Boa; como essa bondade de Glinda é dúbia; como ela se uniu ao Mágico e manipulou Dorothy contra Elphaba; como o Homem de Lata se tornou o que é; e em que reais circunstâncias Elphaba morreu. Obviamente, o plot é construído com muita inteligência e criatividade, e o autor faz bom proveito de um material rico e inventivo, com inúmeras possibilidades a se explorar. Por si só, o potencial artístico de “Wicked” também é imenso (é possível visualizar muitas das passagens em alguma outra mídia) – mas talvez por gostar tanto do musical, tenha preferido a versão encenada nos palcos. Espero que o filme que vem aí dê prioridade para as soluções da peça, que é mais sucinta e correta (o livro chega a ser pesado, forte, nada a ver com o tom adequado para a história). De qualquer forma, vale conhecer.

.:. Maligna! – A Versão da Bruxa. De: Gregory Maguire. Cotação: C+

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Categorias:Literatura
  1. 10 agosto 2009 às 11:56 pm

    Eu AMO “O Mágico de Oz” e sou doida para conferir “Wicked”. Espero poder fazer isso quando a versão cinematográfica for lançada. Valeu por este post, que foi super informativo. 🙂

    Beijo!

    • 11 agosto 2009 às 12:05 am

      Ka, também sou fãzaço de O Mágico de Oz (o filme do Victor Flemming é um dos meus favoritos, cheio de valor e importância), por isso tiro o chapéu para o Maguire pela grande sacada que ele teve, de explorar a fundo personagens que na história original eram apenas bidimensionais. O musical foi ainda mais feliz nas soluções – e vou ser um dos primeiros da fila do cinema, quando o projeto sair do papel!

      Que bom que gostou do texto! 🙂 Beijão.

  2. Luísa
    11 agosto 2009 às 4:21 pm

    Eu AMO Wicked. Vi em Chicago e foi um dos momentos mais mágicos da minha vida. Já procurei pelo livro mas não achei aqui no Brasil. Mas espero muuuito pelo filme!

    • 11 agosto 2009 às 5:24 pm

      Luísa, que sortuda! Ouvi dizer que a versão de Chicago é uma das melhores – e que ultimamente está melhor que o elenco da Broadway. Quanto ao livro, comprei no exterior, mas já tinha visto antes na Fnac daqui!

  3. 4 outubro 2009 às 6:30 pm

    EU ADOROO O MAGICO DE OZ ASSISTO TODO DIA

    • 5 outubro 2009 às 2:04 am

      Daniela, que legal! Também é um dos meus filmes mais queridos!

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