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Luzes de Sexta à Noite

O livro “Friday Night Lights”, de H.G. Bissinger, tratava de uma cidadezinha rural do Texas que depositava suas esperanças no time de futebol do colégio local, e serviu de base para o filme honônimo de 2004 que trazia Billy Bob Thorton e Connie Britton no elenco. Dois anos mais tarde, o diretor e roteirista do longa, Peter Berg, adaptou a mesma história para a televisão. “Friday Night Lights”, a série, foi levada para a NBC com a premissa original desdobrada para se estender por uma temporada de 22 episódios. Imediatamente, a crítica demonstrou aprovação e os canais de esporte a divulgaram em peso, uma vez que os próprios atletas se manifestavam a favor de um programa que consideravam sincero e verossímil. O grande público, porém, não deu muita atenção – e após a segunda temporada, a NBC passou o projeto adiante para a DirecTV. O esquema de transmissão foi modificado – a DirecTV passou a arcar com os custos de produção e a exibir os episódios meses antes deles serem veiculados na TV aberta -, e dessa vez, deu certo. Ao final da terceira temporada, duas mais foram encomendadas (a quarta já está no forno), e os fãs, poucos mas fieis, puderam respirar aliviados.

friday-night

O que torna “Friday Night Lights” tão difícil de apreciar não é a sua temática, abordada de forma universal e perigando cair em clichês. O que incomoda os desacostumados é a câmera de mão em constante movimento, que parece estar sempre no ponto cego dos atores – como se estes não soubessem que estão sendo observados e, portanto, estivessem mais vulneráveis. A película granulada, quase lavada de cores, também é mais utilizada no cinema e muito raramente explorada na TV. Outra hipótese coerente para o fracasso de audiência é emprestada de uma fala de “Melhor É Impossível”, onde o “encontro” de Helen Hunt, depois de presenciar o filho pequeno dela tendo uma crise de asma, vai embora dizendo que aquilo é “real demais para uma sexta à noite”. “Friday Night Lights”, numa alusão óbvia ao seu título, costumava ser exibida nas noites de sexta-feira, quando o americano comum deseja ver tudo, menos problemas tão próximos de si – e é exatamente isso que a série explora. Personagens com defeitos, imperfeições, que por vezes bebem demais, por vezes tem perspectiva de menos. E que estão sempre cientes de que suas trajetórias se desenrolam de maneira precária.

Um dos grandes trunfos do programa está nas interpretações, tão autênticas que transcendem os limites da ficção (uma curiosidade é que Connie Britton reprisa aqui o papel que desempenhou no filme, o da esposa do treinador – este, por sua vez, ganha novo rosto no notável Kyle Chandler). O grupo de veteranos e de novos talentos alia-se ao texto sempre perspicaz (os jogadores poderiam facilmente cair em estereótipos, mas a faceta humana é sempre priorizada) e à direção intimista, capaz de focar conflitos e dilemas interessantes mesmo nos episódios mais fracos. O resultado é a série mais parecida com a vida real que você irá encontrar. Se ainda não conhece, faça-se um favor e vá atrás!

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Categorias:TV
  1. raa
    9 agosto 2009 às 3:06 pm

    Pára Louis!
    Vc já tá me deixando louco!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    A lista de recomendações não pára!
    Já baixei Angels in America e agora vou ter q baixar esta tbm!
    Tirando as outras recomendações!
    O problema é só um: tempo!

    • 9 agosto 2009 às 3:34 pm

      raa, o que é que eu posso fazer se eu só vejo coisa boa? huahuahuahua…

      Angels in America é um telefilme, em uma tarde livre você termina. Já Friday Night Lights dá pra alcançar as três temporadas até o final do midseason – ainda tem o resto de Agosto e até metade de Setembro para a maioria das séries retornar! 😉

  2. 9 agosto 2009 às 6:30 pm

    Louis, parabéns pelo post. Acho que “Friday Night Lights” é uma série que merece ser descoberta pelo grande público. A série é uma das minhas favoritas atualmente porque trata sobre sua temática de uma forma muito verdadeira. Ali, adolescentes são adolescentes, possuem seus próprios problemas, estão tentando se encontrar e cometem erros e acertos como qualquer outra pessoa. Além disso, temos os adultos também, pessoas normais, com suas qualidades e defeitos. O elenco parece que é parte da minha vida. Poderiam ser pessoas que eu mesma conheço. E adoro isso no programa. 🙂

    Beijo!

  3. 9 agosto 2009 às 9:51 pm

    Infelizmente não acompanho a série, o tema futebol americano acaba afastando muita gente por aqui, mas pelo que li o forte da série é o drama.
    Quanto ao bom Kyle Chandler, nos anos noventa ele estrelava a simpática série “Early Edition”.

    Abraço

    • 10 agosto 2009 às 12:27 am

      Ka, obrigado! Aliás, devo lhe agradecer porque foi o seu elogio, dentre muitos, que me levou a assistir Friday Night Lights! Vi duas temporadas em sequência sem parar – e a terceira, que acompanhei já em tempo real, junto dos Estados Unidos, foi tão encantadora quanto. Fiquei gamado no pessoal! 🙂 Beijo!!

      Hugo, é como todo mundo diz: o futebol americano faz parte da premissa, mas não é preciso entender as regras do jogo para se envolver com os dramas dos personagens – que é o que realmente está em destaque. Me lembro de nome dessa série do Chandler, e o conhecia pela ponta em “King Kong” e em “Grey’s Anatomy”! Abraço.

  4. Alex Pizziolo
    10 agosto 2009 às 12:39 am

    Depois de tanto ler você falar de FNL eu resolvi ver e claro, amei!
    Concordo com tudo que você disse no texto, ótimo por sinal.
    E você acredita que eu comecei a gostar de futebol americano, é tão complexo. Não é só um bando de homem se comendo na porrada, rs.
    Estou na 1ª temporada ainda, indo devagar pra curtir cada episódio…

    • 10 agosto 2009 às 2:36 am

      Alex, então você entendeu mais que eu huahuahua… Vendo as três temporadas, continuo sacando muito pouco de futebol americano – mas entendo que por trás do esporte existem pessoas motivadas, que depositam seus futuros, sonhos e esperanças ali. Que bom que está gostando! Quando alcançar a season 3, diga o que achou! 😉

  5. 10 agosto 2009 às 10:40 pm

    Tenho medo de baixar “Friday Night Lights” e me decepcionar… é tanto, mas tanto elogio pra essa série (sendo sincero, até hoje não ouvi nenhum comentário negativo) que como eu me conheço, acho que vou criar aquela expectativa e depois a série é capaz de não satisfaze-la…

    • 11 agosto 2009 às 12:01 am

      Será, Regis? Eu também vi a série cheio de expectativas, já conhecendo a sua reputação, e não me decepcionei nadinha. Dê uma chance!!! 🙂

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