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Harry Potter em retrospecto

Há muito tempo não pegava a minha coleção de DVD’s de Harry Potter – e com as férias prolongadas pela gripe suína, o que não me faltam são tardes livres para uma revisitada a filmes que já me faltam à memória. O sexto, que ainda está estourando nos cinemas, eu vi três vezes (a primeira na pré-estreia à meia-noite, a segunda no IMAX e a terceira na sessão legendada). E ainda devo ver uma quarta com a minha irmã! Como vocês sabem, gostei muito do filme. Mais do que qualquer um dos capítulos anteriores. Mas confesso que revi os dois primeiros incansavelmente, tanto no cinema quanto em video, na época do lançamento. Sabia que eram fraquinhos, mas ainda estava sob o efeito da empolgação, e no auge dos meus dias de pottermaníaco. Como ainda tinha todos os detalhes dos livros frescos na minha cabeça, ficava fazendo comparações, reclamando pelas passagens que tinham sido cortadas ou inventadas – coisa de criança, sabe? Revendo agora, anos depois, com os pormenores dos livros e dos próprios filmes esquecidos, eis minhas sóbrias impressões:

pedra

* Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, 2001, dirigido por Chris Columbus): Não é segredo pra ninguém que Chris Columbus é um diretor de grande mediocridade – e talvez por isso tenha sido escolhido, já que por contrato a autora J.K. Rowling tem controle sobre o resultado. Ou seja, antes um diretor passivo que acate ordens do que um muito inventivo com grandes sacadas. Columbus se provara capaz, entretanto, de arrancar interpretações mirins convincentes (vide “Esqueceram de Mim” e “Lado a Lado”). E nesse ponto ele acerta: conduz o elenco juvenil com habilidade e talento. Daniel Radcliffe, escalado como o protagonista, era bonitinho e carismático (charme que viria a perder com a maturidade). Os amigos Rupert Grint e Emma Watson (Rony e Hermione) também davam conta do recado. E os mais notáveis e consagrados atores do teatro e cinema britânico ficaram com os papeis coadjuvantes. Surgiu daí um passatempo bem feito, ainda que esquecível (uma ressalva é que os efeitos visuais são bastante discutíveis). Os fãs ficaram satisfeitos e alguns outros que não conheciam os livros se fidelizaram a partir daqui. Cotação: C+

chamber

* Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, 2002, dirigido por Chris Columbus): À um primeiro olhar, “A Câmara Secreta” me agradou mais do que o anterior – talvez pela expectativa, que já estava mais moderada. Revendo agora, porém, percebo que é um pouquinho pior. É o menos redondo de todos. Tenho a sensação de que as crianças menores (até porque este é um filme assumidamente infantil) vão ter dificuldade em acompanhar a trama, que não é auto-explicativa, e sim mais próxima daqueles que já a conhecem. Columbus errou a mão mais uma vez, apesar do jovem elenco ainda não ter perdido a espontaneidade. No mesmo esquema, os veteranos continuam relegados a míseros minutos (neste há a inclusão de Kenneth Brannagh e Jason Isaacs). Mas o que mais chama a atenção é a presença de Richard Harris, que tem em Dumbledore o último personagem de sua carreira (ele faleceu pouco antes da estreia do filme e foi substituído no capítulo seguinte por Michael Gambon). A Cezar o que é de Cezar: os efeitos melhoraram 100%, e o elfo Dobby, criado por computadores, é impecável. Cotação: C-

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* Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004, dirigido por Alfonso Cuarón): A escolha do mexicano Cuarón para a direção (Columbus fez o favor de se ocupar com o musical “Rent” e passou o bastão) foi no mínimo excêntrica (ele vinha do sucesso “E Sua Mãe Também”, um drama erótico que não o credenciava para um filme infanto-juvenil). Mas não é que deu certo? Cuarón fez uma adaptação digna, ajudado por um roteiro mais engenhoso, que comprime as passagens do livro com maior liberdade. Só erraram no uso do humor, que quando mal dosado deixa a impressão de que não conseguiram definir o tom da piada. Tecnicamente é irretocável. Os efeitos estão melhores (apenas a figura do lobisomem parece artificial), a fotografia passa de solar a sombria, e até os figurinos se distanciam das cores alegres e se tornam mais frios, lúgubres. Já o trio principal começa a dar sinal de suas limitações, com os personagens mais carregados de emoções. Cotação: B+

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* Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005, dirigido por Mike Newell): Primeiro filme de Harry Potter dirigido por um inglês, mesmo que um sem experiência no gênero (Newell é mais conhecido por comédias românticas como “Quatro Casamentos e um Funeral” e “O Sorriso de Monalisa” – ou seja, fita de menina). Fica cada vez mais difícil esconder que os atores estão crescendo mal (o que interpreta Neville Longbottom é o mais desengonçado), mas o filme não ignora essa fase, dando indícios de paqueras e namorinhos (Harry se interessa por uma mestiça e Hermione por um cossaco). Há dessa vez um torneio entre bruxos estrangeiros acontecendo na escola Hogwarts, o que dá espaço para boas sequências de ação e para efeitos eficientes. Entrementes, as forças das trevas se regeneram com o retorno de Lord Voldemort (Ralph Fiennes, sob uma maquiagem pesada). O engraçado é que Michael Gambon, tão adequado em “O Enigma do Príncipe”, errou aqui na abordagem do personagem: Dumbledore chega a dar medo, e nem de longe lembra o mago pausado e sereno dos livros. Cotação: B-

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* Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007, dirigido por David Yates): Um retrocesso da série, que acertava desde o terceiro capítulo. Este quinto se salva pela participação de Imelda Staunton, formidável como a tirana Professora Umbridge. Em geral é muito arrastado, com poucos atrativos para quem já não é fã. Foi também o primeiro (e único) filme a não ser roteirizado pelo Steve Kloves (que fez do primeiro ao quarto e do sexto aos dois últimos em produção). No lugar entrou Michael Goldenberg, que não tinha como fazer milagres diante do livro inflado e cheio de excessos de Rowling (um dos mais fracos como literatura). O jeito foi apelar para as manchetes de jornal, a forma (deselegante) que eles encontraram de resumir um punhado de acontecimentos e transições. A moral da história é batida e cafoninha (precisávamos ver Harry dizendo que é feliz porque tem amigos enquanto o vilão tenta possuí-lo?), e os pontos altos são os alunos praticando feitiços às escondidas e o duelo entre os bruxos experientes que serve de clímax. Reparem também na certa precariedade dos efeitos (o gigante é constrangedor). Cotação: C+

Ufa… O sexto, que eu já comentei aqui, recebeu um A- com louvor. Complementando a minha impressão sobre a trilha: ela é toda original, composta por Nicholas Hooper. E realmente linda (uma amiga me garantiu que é das melhores dos últimos anos, e olha que ela é compositora formada na UCLA!). E vem mais dois aí!

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Categorias:Cinema
  1. Kau Oliveira
    5 agosto 2009 às 5:48 pm

    Ah, vc sabe que acho Harry Potter, no geral, boooring. O Cálice de Fogo, pra mim, é o mais legal (pq morro o guri no final). Não vi o sexto e talvez nem veja no cinema rsrsrsrsrsrs.

    Abs!

    • 5 agosto 2009 às 6:33 pm

      Kau, não acho boring no sentido de tedioso. Só falta criatividade aos dois primeiros filmes, mas nenhum chega a ser um porre. Começaram como filmes infantis e foram se tornando mais sérios a cada volume, mas sem perder o apelo com as crianças (ou pré-adolescentes, que seja). Os livros são melhores, é claro – mas vistos só como cinema, o terceiro, o quarto e o sexto volumes são diversões honestas.

      Abraço.

  2. 5 agosto 2009 às 7:22 pm

    Eu ainda não vi o ultimo, mas acho disparadamente que a terceira aventura é a melhor.

  3. Caio
    5 agosto 2009 às 10:26 pm

    Vi o último e está realmente fantástico!!! Não gostei muito da adaptação do livro (que aliás é o meu preferido). Steve Kloves preferiu priorizar o lado “malhação” do livro do que a vida de Voldemort e sua família, que de longe era bem mais interessante, mesmo assim o filme continua grandioso.

    Porém o terceiro ainda eh o meu favorito! Foi o roteiro melhor adaptado até agora, a meu ver. Se vc assistir ao filme e logo depois reler o livro vai perceber a superioridade.

    Cuarõn eficientíssimo, é preciso destacar.

    • 5 agosto 2009 às 10:34 pm

      Cleber, a terceira parte também era a minha favorita até então!

      Caio, não acho que pesou pro lado “Malhação”. Achei que, no geral, as atenções ficaram bem divididas (e justamente por isso a narrativa fluiu sem problemas, sem parecer truncada como no primeiro, segundo e quinto filmes). O passado do Voldemort (ou a parte dele que é relevante para a continuação) está lá – faltou só a previsão da Trelawney sendo entreouvida pelo Snape, mas isso foi provavelmente omitido porque Emma Thompson estava indisponível e deve ser retomado no final. Gosto muito do terceiro livro e do sexto também, e ambas adaptações fizeram jus.

  4. 6 agosto 2009 às 12:03 am

    Louis, bela retrospectiva. Eu não gosto dos filmes dirigidos pelo Chris Columbus, que é um diretor limitado demais. ADORO “O Prisioneiro de Azkaban” e acho os dois filmes posteriores a esse medianos. Como você sabe, gostei bastante de “O Enigma do Príncipe” e renovei o gás para os dois últimos filmes da série. 🙂

    Beijo!

    • 6 agosto 2009 às 2:20 am

      Ka, obrigado! Você tem toda razão em não gostar dos primeiros filmes, e O Prisioneiro de Azkaban tem, de fato, um alcance maior. Gostei de O Calice de Fogo, não tanto de A Ordem da Fênix. Mas felizmente, o sexto soube abrir caminho para o final! Prepare-se! 🙂

      Beijo.

  5. 6 agosto 2009 às 6:04 am

    Da série, meu ranking ficaria assim 3 > 6 > 4 > 1 > 2 > 5.

    • 6 agosto 2009 às 11:52 am

      Quase igual ao meu, Vinicius. Só colocaria o sexto a frente do terceiro e o quinto a frente dos primeiros.

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