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Cine Mundi

Mais uma trinca de filmes conferidos e avaliados:

* Bem-Vindo (Welcome, 2009, dirigido por Philippe Lioret): O instrutor de natação de uma piscina pública de Paris se aproxima de um jovem imigrante iraquiano que deseja aprimorar suas habilidades para cruzar, a nado, o Canal da Mancha – tudo para se juntar à sua amada, que mora com a família em Londres. Essa história bonita e edificante é contada nesse filme francês – com título em inglês – do diretor de “Não Se Preocupe, Estou Bem”. “Bem-Vindo” se esquiva de uma pieguice que parece inevitável e, vez ou outra, chega perto do arrebatador. Só o que prejudica é o roteiro, que tira da cartola uma série de complicações apenas porque a trama está carente de conflitos. Ainda assim, fiquei com ótima impressão e recomendo com entusiasmo. Cotação: B+

* Horas de Verão (L’heure d’été, 2008, dirigido por Olivier Assayas): Não se deixe enganar pelo nome de Juliette Binoche à frente dos créditos – o papel dela em “Horas de Verão”, em cartaz em cinemas selecionados, é estritamente coadjuvante; Charles Berling, que interpreta o irmão mais velho, é o protagonista. No filme, a mãe idosa morre e deixa para os filhos uma casa de veraneio e um grande acervo de obras de arte (aparentemente ela era envolvida com um célebre pintor, de quem herdou quadros, rascunhos e mesmo a escrivaninha onde trabalhava – tudo isso material valioso para museus). Mas os personagens não tem substância e ao final sabemos muito pouco sobre eles, ou nada (dentre os irmãos, o mais velho quer manter as coisas da mãe, mas Juliette mora nos Estados Unidos e o caçula – Jérémie Renier – está de mudança para China, então votam por se livrar de tudo). O roteiro se limita a fazê-los colocar os objetos à venda, sem mais, com muita sobriedade e zero plasticidade. E o filme, decupado à moda antiga, ainda abusa dos deselegantes fades-to-black (ou seja, tela preta) quando precisa representar uma longa passagem de tempo. Resumindo: um drama familiar seco, opaco e sem raison d’etre. Cotação: C+

* O Grupo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex, 2008, dirigido por Uli Edel): Não estou depreciando o longa alemão quando digo que era o mais fraco dentre os indicados (que eu vi) ao Oscar de Filme Estrangeiro deste ano. Afinal de contas, “A Partida”, “Valsa com Bashir” e principalmente “Entre os Muros da Escola” eram obras-primas com o’s e p’s maiúsculos. Em defesa deste exemplar está o bom elenco, a direção competente, e o enredo rico e interessante, baseado em fatos que ocorreram na Alemanha nas décadas de 60 e 70, e que pouca gente de fora do país deve conhecer. O filme narra a rotina de uma organização de esquerda que praticou assaltos, sequestros e atentados locais (os sobrenomes dos principais líderes, um homem e uma mulher, eram Baader e Meinhof). Estaria tudo maravilhoso se o roteiro – ah, o roteiro! – não tomasse tanto o partido do grupo e, involuntariamente, induzisse o público a torcer para que eles atinjam seus objetivos (e como isto inclui matar ou torturar civis inocentes, só posso realçar o quão absurda é essa postura). Ignora-se essa puta falha e, voilà, o filme passa por uma boa e oportuna aula de História. Cotação: A-

Vai ver/Já viu algum?

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Categorias:Cinema
  1. 31 julho 2009 às 2:07 am

    Nunca ouvi falar de nenhum desses filmes, exceto do último, que é o longa que mais quero conferir dos que foram citados em seu post. 🙂

    Beijo!

    • 31 julho 2009 às 2:18 am

      Ka, os outros dois são filmes franceses que só devem ter estreado em circuito pequeno nas grandes capitais (talvez só em São Paulo); mas pelo menos Bem-Vindo vale conhecer mais pra frente. E não perca o alemão, que tirando esse erro grotesco que eu citei, é um arraso! 😉

      Beijo!

  2. 31 julho 2009 às 11:55 am

    Cara, pra mim o Horas de Verão é um grande filme. Foi um dos meus prediletos da Mostra de SP ano passado. Colando aqui o que escrevi no meu blog na epoca, no calor do momento (pois quero muito rever):

    “O filme abre com crianças brincando numa enorme casa de campo, para logo vermos que se trata de uma comemoração do aniversário de 75 anos de uma senhora, viúva, com três filhos e dona da obra de um grande pintor falecido, parente de seu marido. Muito belo, o francês “Horas de Verão” vai trabalhar sempre neste trânsito entre o novo e o velho, após a senhora morrer e seus filhos começarem fazer a repartição dos bens. Dois deles moram muito longe (a filha, nos EUA; um dos filhos, na China), então é inviável manter todas as obras de artes e a casa de campo que sempre pertenceu a família, para tristeza do filho mais velho, economista que mora em Paris e para quem sua mãe pede, logo no início do filme, para que a família mantenha todos estes pertences. A câmera de Assayas é de uma elegância incrível, planos que dão a idéia de movimento que se instaura na narrativa. O filme é sobre a preservação da memória, sobre a transmissão de valores, mas é também sobre mudança, transformação, e o grande mérito de Assayas é não se apegar a um pessimismo que não aceita a renovação, o novo. É um filme “pra cima”, os conflitos não alcançam um nível neurótico de uma possível disfunção e crise da família, com um final que retoma o início, na idéia de que as coisas mudam, não importam se para pior ou melhor. Não é intenção de Assayas discutir isso. Ainda bem (Nota 5/5)”

    • 31 julho 2009 às 12:35 pm

      Helio, respeito muito a sua opinião, mas discordo dela. Não captei esses valores imprimidos; estava esperando ser tocado pelo filme, mas a frieza me desligou da história. Mas se o filme teve algo a te dizer e te emocionou, então a sua nota é mais que justificada! 😉

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