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Histórias de Magia

Me chamem de atrasado, mas ainda não tinha visto os filmes sobre magia mais comentados de 2006, “O Grande Truque” e “O Ilusionista”. Entre viagens e sem muitas opções de cinema, acabei os descobrindo em DVD e me surpreendendo com dois projetos muito parecidos (em temática e época), e ao mesmo tempo muito diferentes entre si.

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Vamos por partes: “O Grande Truque” é a reunião do diretor e do ator de “Batman Begins”, Christopher Nolan e Christian Bale. Antes de “O Cavaleiro das Trevas” eles fizeram este conto muito bem bolado sobre dois mágicos rivais na Inglaterra do século XIX (um deles é Bale e o outro é Hugh Jackman). Os dois são ambiciosos, mas mantém uma relação amigável e se apresentam juntos. Até que um acidente num dos truques causa a morte da namorada de Jackman, e Bale é um possível responsável pelo nó mal amarrado que a fez se afogar. Nos próximos anos eles vão se enfrentar em vinganças mútuas e uma delas acaba causando o afogamento e a morte do próprio Jackman (é assim que o filme começa, para depois explicar em flashbacks como as coisas chegaram àquele ponto). No segundo ato há ainda a introdução de duas personagens femininas, Scarlett Johansson como uma assistente de palco e Rebecca Hall como a mulher de Bale (elas viriam a protagonizar juntas “Vicky Cristina Barcelona”, como você sabe). E reviravoltas não faltam a um roteiro inteligente, coeso e sem furos aparentes, apesar da complexa estrutura narrativa que pode confundir. Mas não se preocupe porque tudo se encaixa lindamente no final. Até as pitadas de ficção científica não empatam ou caem na cafonice, uma verdadeira raridade hoje em dia. Indicado aos Oscars de Direção de Arte e Fotografia, “O Grande Truque” merecia ainda menções como Maquiagem, Roteiro Adaptado e até Diretor.

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Já “O Ilusionista” é uma fita mais modesta, discreta, sem firulas. Com orçamento menor (passa até por produção independente), o longa dirigido por Neil Burger atraiu o notável Edward Norton, um ator conhecido por só se envolver com o que realmente lhe interessa. Ele sempre acaba se intrometendo, pondo o dedo no roteiro e dando sugestões valiosas que incrementam o enredo (todos se lembram da polêmica envolvendo o roteiro de “Frida”, que Norton reescreveu sem receber créditos). Mas não basta para transformar “O Ilusionista” em algo mais do que correto. Dessa vez a trama é simples: um ilusionista, talvez com poderes sobrenaturais, faz muito sucesso em Viena, mas passa a ser perseguido pelo chefe da polícia (Paul Giamatti) quando cobiça a namorada do príncipe (Jessica Biel), sua paixão de infância. O final guarda uma reviravolta, assim como todo truque de mágica. Faz sentido dentro da história, mas não é tão difícil de prever, tampouco é elaborado com o talento do concorrente “O Grande Truque”. Ainda assim, vale conhecer. Concorreu ao Oscar de Melhor Fotografia.

.:. O Grande Truque (The Prestige, 2006, dirigido por Christopher Nolan). Cotação: A-

.:. O Ilusionista (The Illusionist, 2006, dirigido por Neil Burger). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 20 julho 2009 às 9:11 pm

    Particularmente, tenho um agrado MUITO maior pelo filme de Nolan, já que O Ilusionista é muito inferior, digo tecnicamente.

    • Louis Vidovix
      21 julho 2009 às 3:24 pm

      Cleber, também gostei muito mais do primeiro, mas em sua simplicidade, O Ilusionista também acerta! Mas de fato, é mais empobrecido em comparação.

  2. 21 julho 2009 às 3:33 pm

    Eu adoro a trama de O grande truque, e mesmo com aquela pitada de ficção no final, a gente sai do filme querendo recomendá-lo para o próximo.
    Na mesma linha de uma trama mais simples, porém nem menos legal, O ilusionista também tem seus truques na manga e consegue uma sensação agravadel no final.
    Os dois filmes (cada um de sua forma) consegue prender, e fazer aquela reviravolta inesperada no final.

    Um outro que me lembrei agora com a mesma temática, porém não recomendo por achar inferior a esses dois, é Atos que Desafiam a Morte, com Caterine Zeta-Jones, que conta a história de Houdini, o “mestre” dos ilusionistas.

    • 21 julho 2009 às 3:58 pm

      Luis, concordo com a primeira parte dos seus comentários, apesar de já ter desconfiado da resolução de “O Ilusionista”. Este com a Catherine Zeta-Jones eu conheço de nome, mas nunca assisti!

  3. Adriano
    25 julho 2009 às 3:14 am

    Eu achei “O Grande Truque” sensacional! Roteiro muito bem escrito e atuações boas. O roteiro foi adaptado de qual obra?

  4. lelacastello
    11 setembro 2009 às 5:11 am

    O Ilusionista pode ser bem mais humilde, mas eu gosto muito de ambos os filmes, achei engraçado, na época, os dois serem lançados simultaneamente, mas não afetou minha opinião por nenhum dos dois, um não interferiu no outro, são dois filmes distintamente especiais que valem a pena conferir.

    • 11 setembro 2009 às 2:55 pm

      Adriano, concordo. E o filme é baseado num livro de Christopher Priest!

      Rafaella, exatamente. Só lamento ter demorado tanto a ver, porque a sua maneira, os dois são ótimos!

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