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A comédia romântica da década?

Assisti a “Simplesmente Amor” na época de seu lançamento nos cinemas, em 2003. O grande atrativo para nós, brasileiros, era a presença de Rodrigo Santoro, em sua primeira participação “falada” no cinema internacional (mas seus diálogos são poucos e pelo sotaque não dá para notar de onde vem). O grosso do elenco, contudo, é formado pelos melhores e mais populares atores britânicos, reunidos pelo prestígio do diretor Richard Curtis (um craque das comédias românticas, que antes tinha roteirizado “Quatro Casamentos e um Funeral” e “Um Lugar Chamado Notting Hill” – aliás, este aqui também tem início com um casamento e um enterro).

love-actually

Tinha gostado moderadamente do filme. Naquele esquema de histórias paralelas, achei que algumas funcionaram bastante, enquanto outras foram perda de tempo. Também fiquei com a impressão de que havia um excesso de clímaxes, já que tudo acontece durante o mês do Natal e as resoluções ficaram parecidas, óbvias, previsíveis. As melhores acabam sendo aquelas que escapam do final feliz, como a trama de Emma Thompson – o marido (Alan Rickman) flerta com a secretária e o casamento dos dois fica balançado -, a de Keira Knightley – se casa com um negro, mas descobre que o melhor amigo está apaixonado por ela – e a de Laura Linney – que é justamente onde Santoro entra. Há espaço também para Hugh Grant, fazendo um Primeiro Ministro que fica interessado por uma funcionária gordinha, e para Colin Firth, que se apaixona pela empregada estrangeira. Um menininho que perdeu a mãe e um popstar decadente (o hilário Bill Nighy) completam a colcha de retalhos. Ou seja, viva o amor, não é mesmo, minha gente?

Revisto mais de cinco anos depois, porém, “Simplesmente Amor” subiu bastante no meu conceito. Os defeitos citados acima ainda estão lá, mas não chegam a incomodar quando nos envolvemos com a história. Outra coisa que muda a experiência de assistir ao filme é o personagem do Liam Neeson, que ficou viúvo e tem que criar o enteado – na vida real ele também perdeu a esposa há pouco tempo, a atriz Natasha Richardson, filha de Vanessa Redgrave. Mas não se preocupem porque o filme não é lúgubre: faz graça de todas as situações, mesmo do luto, e usa um número absurdo de palavrões sem cair na baixaria. Vendo em DVD e mudando o áudio para Português, dá para constatar que a dublagem segue tudo escrupulosamente (por exigência, os dubladores costumam ser obrigados a falar “traseiro” em vez de “bunda” e “mas que droga!” no lugar de “what the fuck!”; imaginem qual não foi a minha surpresa ao ouvir, pela primeira vez, “caralho”, “merda” e “foder” num filme dublado! – outro ponto curioso é que a empregada portuguesa de Colin Firth é transformada em espanhola na versão dublada, já que o problema de comunicação entre dois não faria sentido se os dois se falassem a mesma língua).

Uma amiga me disse uma vez que “Simplesmente Amor” era seu filme favorito. Ao que digo: está longe de entrar na minha lista de prediletos, mas no nicho “comédias românticas bacanas”, esta aqui é, certamente, uma das que mais se destaca – e o elenco, digo com toda convicção, é dos mais impressionantes já vistos numa fita do gênero. Tudo contribui para este passatempo prazeroso que, visto na hora certa, pode até te fazer chorar.

.:. Simplesmente Amor (Love Actually, 2003, dirigido por Richard Curtis). Cotação: A-

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Categorias:Cinema
  1. 18 julho 2009 às 2:14 am

    Eu gosto de “Simplesmente Amor”. Acho um filme belíssimo, mas não diria que este seria a comédia romântica da década. Colocaria um “Orgulho e Preconceito” nesse topo – se bem que o longa é uma mistura de filme de época, com drama. Mas, é uma comédia romântica da melhor qualidade, afinal tem todos aqueles clichês do gênero: o conhecer, os obstáculos e o grand finale. 🙂

    Beijos!

    • 18 julho 2009 às 2:23 am

      Ka, nunca pensei em Orgulho e Preconceito como uma comédia romântica, mas os pontos que você levantou são coerentes! Entre as ‘contemporâneas’, ao menos concordamos com a importância de “Simplesmente Amor”? 🙂

      Beijo!!

  2. Vinícius P.
    18 julho 2009 às 3:08 am

    Amo “Simplesmente Amor”. Foi o típico caso de filme que fui ver sem expectativa alguma e saí chorando após o fim da sessão, haha. Dentro das comédias românticas, acho que é meu favorito da década.

  3. 18 julho 2009 às 8:58 pm

    Olha, acho que realmente seja a comédia romântica da década. Adoro todos os seguimentos, e adoro revê-lo, sempre faz me sentir melhor.

    • 18 julho 2009 às 11:26 pm

      Vinícius, não chorei durante a sessão, mas revendo agora fiquei com o olho aguado huahuahuahua… Acho que a minha perspectiva do filme mudou, à medida que eu mudei!

      Lucas, ainda não gosto muito de alguns dos seguimentos, mas em geral, a experiência é mais que prazerosa!

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