Início > Cinema > Enfim, Harry Potter!

Enfim, Harry Potter!

Como comentei no post anterior, estava pronto para ir à sessão da meia-noite de “Harry Potter e O Enigma do Príncipe” – e fui. Assumi meu lado fãzóide, enfrentei a fila imensa (sou totalmente a favor de cinema com lugar marcado, onde você não precisa chegar com antecedência para não acabar com o nariz colado na tela) e assisti ao melhor filme da saga até agora (declaração que, creio eu, não estou fazendo sob efeito da empolgação). O texto a seguir irá discutir detalhes da trama e traçar comparações inevitáveis com o livro de J.K. Rowling. Você que ainda não assistiu e que não quer perder a surpresa de como certos pontos serão abordados, fica aconselhado a abandonar a leitura por aqui.

half-blood-prince_l

Para quem continua comigo, reenforço: gostei muito do filme. Tanto que o coloco acima de “O Prisioneiro de Azkaban” na minha escala de preferência. David Yates fora o responsável pelo quinto, “A Ordem da Fênix”, mas só aqui atinge a maturidade, e imprime na série uma marca própria, como Cuarón tinha conseguido fazer com “…Azkaban”. Já virou piada dizer que Harry Potter fica mais sombrio a cada volume, mas não dá para discordar diante de um filme tão carregado emocionalmente – e tão distante do início alegre e colorido com “A Pedra Filosofal”, época em que Chris Columbus ainda se contentava em pausterizar os livros de Rowling. Que diferença um diretor ativo não faz…

E também parece mais confiante o roteirista Steve Kloves (que escreveu os quatro primeiros, mas não o anterior) – teve mais liberdade para seguir caminhos diferentes dos propostos pela autora, e acertou em tudo (a cena onde o casebre da família Weasley é atacada não existia, e foi muito oportuna para balancear o ritmo de uma trama que, originalmente, se arrastava e não ia para lugar algum). Outra modificação arriscada diz respeito ao casal Harry e Gina. Eu, que sempre achei a menina insuportável (e mais rodada do que moeda de cinco centavos, diga-se de passagem!), comemorei ao ver o namoro dos dois reduzido a um único beijo, mixuruca e trocado às escondidas. (No livro a cena acontecia com todos os clichês a que tinha direito, diante de todos os alunos da Grifinória – e precisava de muito pouco para que isso se transformasse numa cafonice, com direito a aplausos ou a um incentivo básico, tipo “Beija logo, bobinho!”).

O elenco é outro atrativo. Não é segredo para ninguém que Daniel Radcliffe cresceu esquisito e não especialmente carismático. De fato, ele e Emma Watson (que vive Hermione mais uma vez com cara de contrariada) são os que mais comprometem. Do terceto, Rupert Grint, o Rony, é disparado o melhor (diria até que é um comediante nato, responsável pelas risadas mais gostosas do filme) – dentre os jovens também está o talentoso Tom Felton, capaz de conferir a Draco Malfoy todas as emoções exigidas. Mas obviamente o show é dos veteranos, em especial Michael Gambon, que finalmente tem maiores chances como Alvo Dumbledore, e Jim Broadbent, que torna o Professor Slughorn muito mais matizado do que o arquétipo criado por Rowling. Também vale mencionar as participações de Alan Rickman, reprisando o papel de Snape com o sucesso de sempre, e de Helena Bonham Carter (exagerada, mas divertida, como Belatrix Lestrange). Pecado mesmo é desperdiçar tantos outros atores de tradição em meras figurações, mas isso é história antiga.

De resto, a competência habitual: cenografia, direção de arte, figurinos, tudo feito no maior capricho e agindo em conjunto para tornar palpável aquele mundo fictício. A fotografia é ainda essencial para atestar o clima do longa, e a trilha sonora (reconheci alguns temas já utilizados, mas acredito que também tenha faixas inéditas) é notável em geral. No mais, sei que Harry Potter tem um punhado de detratadores, mas devo confirmar que assisti a “O Enigma do Príncipe” com mais prazer do que os anteriores.

.:. Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009, dirigido por David Yates). Cotação: A-

Anúncios
Categorias:Cinema
  1. celucine
    15 julho 2009 às 3:11 pm

    Assessoria de Imprensa Cel.U.Cine | Oi Telecom
    Olá boa tarde !

    O Festival Cel.U.Cine de micrometragem em parceria com a Oi Telecom já está na 3° etapa e é um sucesso. O Tema da nova etapa é “De arrepiar” e as inscrições vão até 27 de Julho.

    Gostaríamos de enviar à você o novo release desta 3° etapa do festival, sob o tema “De Arrepiar”.

    Ficamos agradecidos retornando este email para nós.

    Desde já, nosso muito obrigado!

    Assessoria Festival Cel.U.Cine de Micrometragem | Oi Telecom | http://www.celucine.com.br/index.php

  2. 15 julho 2009 às 3:40 pm

    Nem li os comentários por causa dos spoilers, mas estou super curioso em relação a esse filme, todo mundo está falando bem!

  3. 15 julho 2009 às 4:02 pm

    Todo mundo está soltando os mesmos comentários …

    • 15 julho 2009 às 4:23 pm

      Celucine, obrigado!

      Vinícius, imagino que você vá ver em breve? Daí volte para trocarmos opiniões!

      Cleber, acho que é um consenso: o filme é um marco para a série Harry Potter! 🙂

  4. Alex Pizziolo
    15 julho 2009 às 4:45 pm

    Não li por causa dos spoilers²
    Fiquei surpreso com o A-
    Espectativas mil!
    Hoje vejo o filme!

    • 15 julho 2009 às 4:57 pm

      Calma, Alex!! Expectativas muito elevadas sempre acabam comprometendo a experiência de assistir ao filme. Boa sessão e volte depois para dizer o que achou!

  5. 16 julho 2009 às 1:49 am

    A sua é a melhor opinião que eu li até agora sobre o novo “Harry Potter”. Eu pretendo assistir a este filme sem qualquer expectativa. Até porque tenho meus problemas com a série.

    Beijo!

    • 16 julho 2009 às 3:44 am

      Ka, obrigado! Sei que você não é a maior fã da série, mas creio que vá concordar comigo quando disse que este é o mais maduro. Beijão!

  6. Daniele
    19 julho 2009 às 2:24 am

    Bem,

    é fato, esse filme é o melhor de toda a série…
    mas possui algumas falhas e peca em algumas coisas,
    (q os fãs ficam geralmente fulos da vida ) devido algumas mudanças na história.

    Senti falta de mais emoção no final da história, cadê a velha e boa batalha…
    se essa parte fosse um pouco mais parecida com o livro ia ficar muito show.

    Quanto a Gina…Concordo com tudo, ainda bem que eles mudaram a parte
    do beijo (UFA!!!)

    E eu achei muito boa a atuação da Evanna Lynch, a atriz que faz o papel da aluna Luna Lovegood. Ela foi brilhante (mais uma vez) apesar da juventude e do pouco tempo que teve em cena.

    Acho que só me lembro disso…

    por enquanto.

    • 19 julho 2009 às 4:52 am

      Daniele, na verdade a batalha foi ‘cortada’ porque no último filme, a batalha final também acontece em Hogwarts. Não quiseram se repetir e fazer cenas repetidas ou parecidas, e isso eu entendo. Muita gente tb disse que achou o final anti-climático, mas eu particularmente achei coerente – e gostei que substituíram o funeral do Dumbledore, que no livro é um verdadeiro circo, por uma homenagem simples dos alunos e professores.

      Também gostei muito da Luna, mas gostei ainda mais da menina que faz a Lavander, namorada do Rony! Ela está hilária, muito bem escolhida!!!

  1. 5 agosto 2009 às 1:29 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: