Início > TV > O que as pessoas tem contra Mad Men?

O que as pessoas tem contra Mad Men?

Com base no post das previsões para o Emmy, pude notar que “Mad Men” – aquela que, supõe-se, é a frontrunner na disputa pela estatueta de Melhor Série Dramática (prêmio que já conquistou no ano passado, para somar ao Globo de Ouro e ao SAG de Elenco) – não é unanimidade entre o público. O imenso prestígio da crítica não garantiu a aprovação geral dos espectadores, apesar da audiência ser satisfatória para as proporções do canal, o pouco badalado AMC. De um lado, os admiradores de um programa fino, com direito à reconstituição de época impecável, à roteiros primorosos e a um elenco competente. De outro, aqueles que enxergam muita forma, mas pouco conteúdo, e que consideram os dramas dos publicitários da Nova Iorque da década de 60 (os “mad men” do título) como nada menos que chatos.

mad-men-silouhette

Por um tempo, pertenci ao segundo grupo. Assisti a primeira temporada de “Mad Men” por inércia, achando a série bem realizada, mas enfadonha, e indigna dos prêmios conquistados acima do sensacional primeiro ano de “Damages”. O que me interessava não eram os fantasmas do passado que assombravam o protagonista Don Draper (o ótimo Jon Hamm), tampouco as crises nervosas de sua mulher (January Jones). O elemento que despertava meu interesse era a criação publicitária, e como eles ponderavam as dificuldades de vender um produto para uma sociedade cheia de conceitos e preconceitos. (Aliás, tenho amigas que se ofenderam com o modo com que o sexo feminino foi retratado, mas devemos nos lembrar de que a série se situa antes da revolução sexual, numa época onde a mulher realmente não tinha voz ativa e penava para ser reconhecida – tudo simbolizado na personagem Peggy Olsen, muito bem interpretada por Elisabeth Moss.)

Ao final da primeira temporada, porém, me convenci de que estava diante de algo genial. Tinha passado vários episódios intrigado, pensando coisas do tipo: “Nossa, como a Peggy está inchada!” ou “Caramba, como ela engordou!”. Não deu outra: a menina estava grávida e nem desconfiou. Foi pro hospital sentindo dores e, voilà, acabou com um bebê nos braços em questão de minutos. Com ânimo revigorado, enfrentei a segunda temporada. E apreciei cada momento! Todos os dramas continuam lá, por vezes meio cansativos, é verdade. Mas se a gravidez de Peggy nos ensinou alguma coisa é que todo mundo ali tem uma razão de existir. Todos os personagens são bem construídos e todos tem histórias curiosas, esculpidas embaixo do nosso nariz sem a gente notar – e todas essas histórias serão exploradas eventualmente. Esse esquema, muito semelhante ao de “Família Soprano”, não é mera coincidência: o criador de “Mad Men”, Matthew Weiner, foi um dos roteiristas (e produtor executivo!) da série de David Chase, contratado pela HBO depois de propor ao canal a produção do Piloto de… “Mad Men”! Weiner enterrou temporariamente o projeto para se dedicar a “Sopranos” e o retomou anos mais tarde, com carta branca do AMC.

Ou seja, o meu parecer final é: “Mad Men” faz por merecer a sua posição privilegiada no Emmy e nas demais premiações. Você, que tem um pé atrás com a série, experimente dar outra chance. É inacreditável o tanto de qualidades que você irá encontrar ali – basta ler nas entrelinhas.

Categorias:TV
  1. lelacastello
    13 julho 2009 às 9:58 pm

    Sempre ouvia falar de Mad Men mas nunc aassistia. Acho que no meio do ano, a HBO Brasil passou a exibir a primeira temporada, e minha mãe começou a insistir que eu visse com ela. Vi alguns episodios da primeira, gostei, achei tudo muito bem feitinho, mas o seriado não me prendeu muito. Acabei por pegar a segunda temporada inteira, e Mad Men virou um dos meus seriados preferidos. É raro o seriado que eleva o nível de qualidade na segunda temporada, mas esse foi um deles. Estou muito anciosa para que chegue logo a terceira temporada (acho que no meio ou final de Agosto) e acho que todos nesse seriado merecem reconhecimento. Concordo plenamente com tudo o que você falou !

  2. 13 julho 2009 às 11:12 pm

    Não acompanho, então fica difícil opinar.

    Mas a sinopse é bem interessante.

    Abraço

  3. 13 julho 2009 às 11:17 pm

    Não sei Louis… sendo bem sincero, eu dei uma baita duma chance pra “Mad Men”. Sem mentira, depois do terceiro episódio eu já tava pronto pra largar ela de vez, mas como eu já tinha baixado até o décimo no pc, insisti. Vi até o 10, mas gente, pra mim a série nunca passava NADA. Os dois únicos personagens que me interessavam eram a Betty e a Joan. As únicas. Sinceramente, eu não vi nenhum dos outros personagens evoluir nada na temporada toda. O Draper do começo ao fim se envolvendo com toda mulher que se pela frente. A Rachel, que de início eu adorava, tava se tornando cada dia mais submissa e permissiva na presença do Draper (como se todas as mulheres tivessem a obrigação de se apaixonar pelo macho-alfa), a Betty apesar de ser uma porta, que nunca contestava o marido em nada, pelo menos tinha algum carisma. E assim vai. As mulheres sempre sendo traídas ou sendo tratadas como lixo. Os homens sempre traindo as esposas, e comendo toda saia que passasse por eles. A Peggy a temporada inteira, só prestando pra atender o telefone. E fim. De história, foi isso que “Mad Men” me passou.

    Mas não sou idiota em negar as outras qualidades da série. Ela tem sim alguns trunfos inegáveis. Primeiro, obviamente a parte técnica. A direção de arte e os figurinos são impecáveis. A fotografia é um primor. Segundo, o elenco é brilhante. Eu fiquei simplesmente apaixonado pela January Jones. Que mulher linda, e que atriz brilhante. A atuação dela, se concentra toda, nos pequenos detalhes. Eu fiquei pasmo com a construção dela da personagem.

    Eu até tenho vontade de terminar os 3 episódios que me faltam, e ver se crio animo pra segunda temporada, que todos dizem ter melhorado um pouco. Mas por enquanto, “Mad Men” é pra mim, só uma série muito bem dirigida e produzida, muitissimo bem atuada, mas incrivelmente chata.

    Ah, e que fiquei claro, que não tenho nada contra séries “paradas”. “The Wire” por exemplo, terminei a primeira temporada ontem, e estou até agora refletindo a genialidade dessa série, e como ela não tendo nada de ação, conseguiu me envolver tanto na trama.

  4. 14 julho 2009 às 12:22 am

    Eu não tenho nada contra “Mad Men”. Você sabe que eu criticava o programa pela maneira como eles retrataram as mulheres na primeira temporada, mas, nesta segunda, eles meio que se redimiram comigo ao mostrarem as personalidades fortes de Peggy e de Betty. A personagem que me surpreendeu, no entanto, foi a da Christina Hendricks, que continua com aquele noivo safado dela. Aquele cara não a merece!!!!!

    Ah, e acho que a segunda temporada do programa não foi tão brilhante quanto a primeira.

    Beijos!

    • 14 julho 2009 às 1:02 am

      Rafaella, a sua mãe, como publicitária, deve ser uma espectadora assídua de MAD MEN! A série falha em viciar a princípio, mas veja só, a qualidade é tanta que hoje espero a terceira temporada (a ser exibida em Agosto) com a mesma ansiedade com que espero o retorno das minhas séries mais queridas!

      Hugo, dê uma chance para a série e tire suas próprias conclusões. Abraço!

      Régis, em primeiro lugar, devo dizer que considero THE WIRE genial – e que a série foi uma das melhores descobertas televisivas que fiz na vida! Quanto a MAD MEN, experimentei os mesmos problemas que você em relação à série, e o que me fez insistir foram esses pontos positivos incontestáveis (o capricho da produção, a excelência do elenco – January Jones está maravilhosa, parecendo Grace Kelly – etc). E acho que o programa tem seu valor como o retrato de uma época tão distante de nós – e ao mesmo tempo tão perto, já que discriminações a mulheres ainda existem em certos círculos de trabalho, ainda que de forma menos escancarada. Aconselho que termine a temporada e que já engate o segundo ano. Pode não viciar, mas tb pode te fazer rever o conceito!😉

      Ka, imaginei que você fosse gostar mais da segunda temporada, já que o ponto mais delicado da série para você – o papel da mulher na sociedade – foi melhor explorado. Quanto aos personagens, acho a secretária Joan fascinante – e cena em que a Hendricks é estuprada pelo namorado é de partir o coração. Num mundo justo, ela seria indicada ao Emmy de coadjuvante! Beijão!

  5. Alex Pizziolo
    14 julho 2009 às 1:05 am

    Nunca me interessei por ver Mad Men, mas ano passado passou na HBO a 1ª temporada (reapresentação) e eu peguei um episódio e adorei, baxei todos e gostei muito. Admito que tem um ritmo lento, mas adoro coisas de epóca, principalmente a época retratada na série e January Jones chamou minha atenção.

    A 2ª temporada é uma obra-prima, bem melhor que a 1ª e tivemos mais destaques das mulheres de Mad Men, que adoro. Minha preferida é Betty e ela esteve ótima!

    Não tenho nada contra Mad Men, tenho tudo a favor, isso sim!

    • 14 julho 2009 às 1:14 am

      Alex, baixei o primeiro episódio de Mad Men antes da HBO exibi-lo por aqui. Fui rever meses depois, numa festa de divulgação em São Paulo, patrocinada pela própria HBO e fechada para estudantes de Publicidade. Cheguei em casa doido de vontade para continuar a ver e consegui os demais episódios. Não me viciei de imediato mas, como disse, me envolvi com a série e os personagens eventualmente.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: