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Para ver e rever

“Quase Famosos” ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia em 2001, mas acabou perdendo a vaga na categoria máxima do Oscar para “Chocolate” (que está mais para “Cocô”). A verdade é que o filme não chegou a ser um estouro (não ultrapassou a marca dos 40 milhões nos cinemas americanos, o que é inexplicável, já que é bastante comercial), e a bilheteria displicente resultou em apenas quatro indicações ao Oscar, nas categorias Montagem, Atriz Coadjuvante (Frances McDormand e Kate Hudson), e Roteiro Original (Cameron Crowe). Venceu nesta última.

O que “Quase Famosos” conseguiu, porém, foi ainda mais nobre e significativo do que uma estatueta: enquanto ninguém se lembra de “Chocolate”, o longa de Crowe continua vivo na memória de seus admiradores. “Quase Famosos” conquistou – e continua conquistando – defensores fervorosos que não se cansam de revê-lo. A cada nova assistida, novas qualidades são descobertas em meio ao mesmo velho encantamento, à mesma doce nostalgia e ao mesmo carinho por personagens tão bem delineados.

almost-famous

Este é um projeto quase autobiográfico de Cameron Crowe, que assim como o protagonista William Miller (o notável Patrick Fugit), também partiu em tourné com uma banda de rock quando tinha apenas 15 anos – o mais bacana: à mando da revista Rolling Stone! A mãe de William (Frances McDormand, formidável) é careta e superprotetora (como provavelmente a mãe de Crowe também foi), mas o deixa ir com a condição de que falariam ao telefone todos os dias. Stillwater, a banda de rock que ele acompanha, é fictícia (dizem que inspirada em Led Zeppelin, já que os membros estão sempre se desentendendo, tendo crises de estrelismo, se achando mais talentosos do que os colegas, usando drogas e fazendo sexo casual com as fãs). Uma dessas fãs, Penny Lane (Kate Hudson, filha de Goldie Hawn, absurdamente adorável), se torna a musa de William, mas se deita todas as noites com o guitarrista Russel (Billy Crudup) – a personagem realmente existiu; foi um amor platônico de Cameron Crowe.

E “Quase Famosos” funciona de cabo a rabo. Da impecável reconstrução de época (cenografia e figurinos) à excelência do elenco, da imparcialidade do roteiro (que não ousa fazer julgamento moral de nenhum personagem) à competência da direção (a versão em DVD disponível do Brasil traz, além da versão oficial, a versão do diretor, com 40 minutos de cenas adicionais – cortadas por exigência do estúdio, que visava sessões mais curtas). E a trilha sonora é um capítulo à parte: tenho o CD, mas está pulando algumas faixas, de tanto que o escutei ao longo dos anos. Conclusão: é o filme perfeito (ou o mais próximo da perfeição que um filme pode chegar). Sempre hesito em responder qual é o meu filme favorito, e minha resposta habitual tem uns três ou quatro empatados em primeiro lugar. Mas, cá entre nós, preciso confessar: nenhum supera “Quase Famosos”, o meu filme predileto!

.:. Quase Famosos (Almost Famous, 2000, dirigido por Cameron Crowe). Cotação: A+

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Categorias:Cinema
  1. Alex Pizziolo
    22 junho 2009 às 9:43 pm

    Vi esse filme faz pouco tempo, gostei mas não achei tudo isso que falam. Kate Hudson tá tão sem graça, prefiro a Frances mil vezes! E no ano do filme tinham outros bem melhores, “Chocolate” é um exemplo desses, é um dos meus filmes preferidos, amo mesmo!

    Acho que o fato de não ter gostado tanto do filme é por não me identificar com a época, não curtir rock, etc…

    Abraço!

    • 22 junho 2009 às 10:11 pm

      Alex, sinto muito, mas Chocolate não lambe as botas de Quase Famosos. Não lambe as botas!

      Quase Famosos é o melhor tributo à música que o cinema já prestou e sua magia é atemporal. Não sou grande entendido de rock e ainda assim o admiro imensamente. Recomendo que reveja!

      Abraço.

  2. Vinícius P.
    22 junho 2009 às 11:00 pm

    “mas acabou perdendo a vaga na categoria máxima do Oscar para “Chocolate” (que está mais para “Cocô”).” Hahahahahahahaha, concordo! Bem, sempre é uma maravilha rever “Quase Famosos”, que para mim foi o melhor filme daquele ano – e até hoje não entendo com a Academia fez uma seleção tão sem graça quanto aquela…

  3. Rafaella
    22 junho 2009 às 11:50 pm

    É meu filme preferido também ! Eu lembro de sair do cinema pensando ‘Acabei de ver algo muito especial’. Até hoje nem sei quantas vezes já vi e revi, e ele realmente é o mais perto da perfeição possível. Excelente gosto o seu !

  4. 22 junho 2009 às 11:53 pm

    Geralmente, eu tenho um pé atrás com filmes assim, que são projetos pessoais demais de um diretor e roteirista. Mas, “Quase Famosos” é uma daquelas obras irresistíveis. Foi um longa felicíssimo do Cameron Crowe. Pena que, depois disso, ele tenha perdido a mão.

    Beijo!

    • 23 junho 2009 às 2:15 am

      Vinicius, Chocolate indicado a Melhor Filme foi um dos maiores absurdos que eu já presenciei! Quase Famosos botava no bolso os cinco selecionados da Academia e era. de fato, o filme de ano! 🙂

      Rafa, eu me lembro de vc comentando seu amor por Quase Famosos. Temos bom gosto haha! 😉 E estou MORRENDO de inveja de você, que viu essa preciosidade nos cinemas!!! Eu só fui conferir em vídeo, meses depois.

      Ka, eu geralmente acho que quando um diretor está envolvido com o projeto num nível pessoal, as chances de sair coisa boa aumentam. Ainda assim, nada me preparou para o espetáculo que é Quase Famosos. Realmente o melhor filme da carreira do Crowe, que depois cometeu alguns deslizes (apesar de eu gostar de Elizabethtown, mesmo sabendo que é fraquinho). Beijo!

  5. nelsongadelha
    20 julho 2011 às 12:24 am

    Um dos filmes da minha vida também! Amo tudo ali: as canções, os personagens e as atuações, o roteiro e a direção de Crowe (um trabalho sensível, poético, sincero, humano e, enfim, melhor parar por aqui). Meu preferido daquele ano e um dos filmes definitivos da década passada.

    Ah, e parabéns pelo blog (estou visitando esse, mas também o seu novo blog).

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