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A luz no fim do túnel do Cinema Brasileiro

O título deste post foi a forma que Marcelo Tas (“CQC”) definiu “Apenas o Fim”, certamente o filme nacional mais interessante dos últimos tempos. Esse elogio é justificado por um motivo básico: o diretor e roteirista do longa – um certo Matheus Souza, estudante de Cinema da PUC-RIO de apenas 20 anos – conseguiu fazer o que muita cobra criada do ramo não dá conta: imprimir no seu trabalho uma linguagem autoral e verdadeiramente própria. Aplaudo-o de pé. De pé!

apenas-o-fim

Por uma hora e vinte minutos, ele delicia o público com a despedida de um casal formado por um nerd (Gregório Duvivier) e uma biruta (Erika Mader). Ela está insatisfeita com a vida e resolve fugir. Passa na faculdade para avisá-lo que está de partida e que não pode se demorar por mais de uma hora. E nesse tempo, os dois passeiam por lá, conversam, relembram os melhores momentos e lavam roupa suja. São diálogos e mais diálogos, ao estilo de “Antes do Pôr-do-Sol” mas com o virtuosismo de um texto de Diablo Cody – exceto que grande parte das piadas são ainda mais inspiradas do que as da Diablo, ou ao menos mais próximas dos brasileiros. No lugar de Sunny-D’s e iPod’s, “Apenas o Fim” faz menção à Fanta Uva, aos Cavaleiros do Zodíaco, à Vovó Mafalda e até ao site Omelete. Uma porrada de referências à cultura pop que todo mundo na faixa dos 20 anos vai captar e adorar. E é aí que está o maior defeito do filme: pode não surtir efeito numa plateia menos antenada, ou ficar datado demais e não sobreviver ao tempo. Para mim, que vivi a mesma época que o diretor e os atores, “Apenas o Fim” arrebenta mais do que Steven Seagal em garagem de traficante. Para uma outra parcela de espectadores, porém, pode soar chatinho, sacal e irritante.

A essas pessoas, recomendo que tentem se apegar às outras qualidades inegáveis do filme: o talento e a boa intenção de Matheus Souza, que cria uma situação envolvente com recursos mínimos e pouca variação de cenário (só mostram o campus da PUC e flashbacks do casal no quarto), e a boa dupla de protagonistas. A menina Erika, sobrinha de Malu Mader, ainda está verde, mas é esforçada. E o colega de cena Gregório é uma revelação; dá um show sem um único movimento em falso na sua atuação, conseguindo até fazer os diálogos carregados brilharem com naturalidade. Obviamente me empolguei com o resultado e só posso aconselhar que confiram!

.:. Apenas o Fim (Nacional, 2008, dirigido por Matheus Souza). Cotação: A-

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Categorias:Cinema
  1. 19 junho 2009 às 11:24 am

    Parece interessante.
    Quando à época contextualizada, estou dentro. Vou conferir logo que puder.

    Mas, pô… Steven Seagel? Não podia ter escolhido alguém melhorzinho, não? Rsrs!

    Abs!

  2. 19 junho 2009 às 1:47 pm

    Ganhei uma cortesia e posso ver esse filme no Espaço Unibanco. Desde que vi o trailer imaginei que fosse um filme decente, hehe.

  3. 19 junho 2009 às 4:43 pm

    Juro que quando vi uma matéria sobre esse filme no multishow eu jurei que seria bomba, principalmente pela presença da Erika Mader que nunca me chamou atenção, nem nada… Mas seu comentários me fizeram ter uma certa esperança!

    Abraço!

    • 19 junho 2009 às 11:04 pm

      Ramon, bota interessante nisso! E o Steven Seagal foi uma metáfora haha… Longe de mim comparar este pequeno grande filme que é Apenas o Fim com a canastrice do Steve… Abraço!

      Mark, foi lá mesmo que eu assisti (é meu refúgio nas quintas, quando o ingresso é R$5,00 a inteira e R$2,50 a meia). Fiquei empolgado desde o trailer, também!

      Alex, imagina, o filme está longe de ser uma bomba e Erika, se não chega a brilhar como o colega de cena, tampouco compromete. Veja que vale a pena! Abraço.

  4. 20 junho 2009 às 12:05 am

    Queria assistir a este filme somente por causa da trilha sonora, que foi composta pelo Marcelo Camelo. Agora, depois de seu texto, o filme todo passou a me atrair.

    Beijo!

  5. 20 junho 2009 às 1:27 am

    O cinema brasileiro precisa mudar mesmo e um filme assim é um bom sinal.
    Se tiver oportunidade, verei.

    • 20 junho 2009 às 2:40 am

      Ka, que bacana, não sabia que a trilha tinha sido composta pelo Camelo! Pelo menos uma das canções que tocou durante o filme me agradou muito! Beijão!

      Ibertson, pois é, este filme é um triunfo por atestar o quanto nosso cinema pode se despregar de certas convenções. Não perca! 😉

  6. 20 junho 2009 às 3:01 pm

    Se eu já estava interessado, agora estou definitivamente curioso.

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