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Tootsie

Tootsie

Michael Dorsey (Dustin Hoffman) é o ator característico com a pior reputação de Nova Iorque. Ele nunca concorda com quem trabalha e prefere se demitir a dar o braço a torcer; até seu agente (Sidney Pollack, diretor do longa) desistiu dele. O único jeito de arrumar trabalho é deixar Michael Dorsey para trás e assumir outra identidade. A ideia vem quando ele acompanha uma amiga (Teri Garr) a um teste para uma telenovela diurna: fazer o teste para esse mesmo personagem, travestido como mulher! Sem que essa amiga saiba, Michael se apresenta como Dorothy Michaels e, voilà, consegue o papel! Passa a fazer enorme sucesso com as suas idiossincrasias e, aos poucos, vai compreendendo as dificuldades de ser mulher e se tornando um homem melhor. O problema é que ele cria pra si mesmo uma armadilha difícil de escapar: o sucesso como Dorothy é tanto que abandoná-la fica cada vez mais difícil. Complica este cenário a paixão que Michael nutre por uma colega de elenco (Jessica Lange, ganhadora do Oscar de Atriz Coadjuvante) – ela, por sua vez, não desconfia da farsa e vê Dorothy como uma amiga e confidente (e até tenta armar um encontro entre Dorothy e seu pai!).

Essa premissa muito curiosa – e, em sua época, realmente original – justifica o sucesso de “Tootsie” e a importância que o filme tem até os dias de hoje. “Tootsie” foi eleito a segunda melhor comédia de todos os tempos pelo American Film Institute, atrás apenas de “Quanto Mais Quente, Melhor” (que, curiosamente, também tem protagonistas que se travestem). E é mesmo um barato. Sem dúvidas, é o melhor trabalho do diretor Sidney Pollack, falecido no ano passado – superior ao blefe “Entre Dois Amores”, chatice melodramática pela qual é mais lembrado. Também é a melhor interpretação da carreira de Dustin Hoffman, que teria levado o Oscar se não tivesse topado com o sensacional Ben Kingsley em “Gandhi”. O script – gestado num processo tumultuado, ao final do qual vários profissionais que colaboraram não foram creditados – tem tantas piadas boas por minuto e é tão bem-sucedido na criação do conflito central que é tomado até hoje como referência nas aulas de roteiro. Resumindo: se você nunca viu, não sabe o que está perdendo. A versão em DVD disponível no Brasil é pobre e sem requintes, mas o filme sempre vale uma revisitada.

.:. Tootsie (Idem, 1982, dirigido por Sidney Pollack). Cotação: A+

PS: Não deixe de ver Dustin Hoffman comentando a sua experiência como mulher no Late Show with David Letterman. Impagável! (Só para quem entende inglês, eu receio.)

 

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Categorias:Cinema
  1. 6 junho 2009 às 1:32 pm

    Este está a muito tempo na prateleria aqui de casa, e não conferi ainda!

  2. 6 junho 2009 às 2:02 pm

    comentar as qualidades desse filme é praticamente inútil.
    concordo quando disse que é o melhor do falecido diretor Pollack. Dustin Hoffman deveria rezar um terço todos os dias, por ter conseguido a inspiração nesse trabalho.
    abraço, Louis 🙂

    • 6 junho 2009 às 2:10 pm

      Cleber, como não?? Veja o mais breve possível! 😉

      Jeniss, você é o primeiro que concorda comigo quando digo que Tootsie é o melhor do Pollack! Hoffman estava tão inspirado que parece que desceu o espírito de uma mulher no corpo dele! O meu trabalho preferido dele, um fio de cabelo acima de seu desempenho em Rain Man e muito – MUITO – além de sua interpretação em Kramer vs Kramer!
      Abraço!

  3. 6 junho 2009 às 5:50 pm

    Não sei se é o melhor de Pollack, mas é uma das grandes comédias da história e gerou diversas cópias menos engraçadas.

    Abraço

  4. 6 junho 2009 às 11:11 pm

    Definitivamente o filme síntese da dupla Pollack-Hoffman (não que o Hoffman não tenha feito outros filmes memoráveis: A Primeira Noite de Um Homem e Perdidos na Noite estão aí para provar o contrário!). Eu já tinha visto o episódio do David Letterman. É hilário realmente! Quanto as suas dez cenas finais, veio-me à mente enquanto lia as suas dez, O Franco-Atirador, do Michael Cimino (a cena final dos dois irmaõs disputando a roleta-russa). Não viu? veja! É uma das maiores obras-primas do cinema.

    • 6 junho 2009 às 11:54 pm

      Hugo, de fato. Perdi a conta de quantas comédias derivativas e MUITO menos engraçada vieram depois de Tootsie, querendo pegar carona no mesmo conceito do longa de Pollack! Abraço.

      Roberto, Hoffman não é um dos meus atores favoritos, e acho que levou seus dois Oscars pelos trabalhos errados. As minhas interpretações preferidas dele são as de Tootsie e a de Perdidos na Noite!
      Já vi O Franco-Atirador (Christopher Walken em atuação top 5 dos anos 70!) e a última cena é mesmo demais, mas confesso que nem cheguei a considerá-la para a lista. Esqueci, provavelmente rsrs..

  5. Gustavo H.R.
    7 junho 2009 às 12:26 am

    A Última Grande Comédia Estadunidense.

  6. Vinícius P.
    7 junho 2009 às 2:04 pm

    Nunca tive a oportunidade de ver, mas sempre tive muita curiosidade por causa da comentada atuação do Dustin Hoffman…

    • 7 junho 2009 às 3:19 pm

      Gustavo, não tenho como discordar!

      Vinicius, eu também já tinha ouvido falar muito no filme antes de assisti-lo pela primeira vez. Merece cada elogio! Se a sua curiosidade for muito grande, saiba que está disponível, em partes, no YouTube! 😉

  7. 8 junho 2009 às 7:45 pm

    Realmente uma das maiores atuações da história do cinema, fantástico…

    PS: To no trabalho e ainda não pude ver a entrevista, mas to com muuuita vontade, rs…

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