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Programa Triplo

Os três filmes comentados abaixo entraram recentemente em cartaz nos cinemas brasileiros. Já viu algum? 

 

budapeste

* Budapeste (Nacional, 2009, dirigido por Walter Carvalho): Não li o livro honônimo de Chico Buarque, mas acho difícil que seja pior do que este filme “Budapeste” – facilmente, um dos piores exemplares do ano. Começa promissor, com a narração em off comentando que Budapeste, a capital da Hungria, não é cinzenta, e sim amarela (e cortando para uma panorâmica da cidade, muito bem fotografada – a fotografia, aliás, é o maior e único trunfo do longa). Mas tudo descamba quando a gente começa a conhecer melhor o protagonista. E olha, está pra nascer sujeito mais chato! Leonardo Medeiros interpreta um ghost-writer que fica todo melindrado quando uma das biografias que escreve se torna best-seller. Ele exige crédito pelo trabalho, briga com a esposa (a fraquíssima Giovanna Antonelli) e, entrementes, vai e volta para Budapeste com a mesma facilidade com que os personagens da novela “O Clone” se locomoviam para o Marrocos (ou seja, como se estivesse indo até a esquina). A partir daí o filme não firma o tom, dá espaço para cenas de nudez e sexo gratuitos e inventa uma resolução metalinguística que garante o desligamento do espectador (Chico também faz uma ponta desnecessária nos últimos minutos). Passe longe! Cotação: E+

 

counterfeiters460

* Os Falsários (Die Fälscher, 2007, dirigido por Stefan Ruzowitzky): Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro no ano passado, o austríaco “Os Falsários” chega com atraso aos cinemas brasileiros e quase simultaneamente à estréia de “A Partida”, o ganhador na categoria este ano. Esta é mais uma história real ambientada em campos de concentração, mas sem a redundância da esmagadora maioria de filmes deste nicho. É um drama curioso que conta um causo ainda não revelado pelo cinema: que em 1944, um grupo de judeus ajudou os nazistas a fazerem dólares falsificados em troca de privilégios básicos para a sua sobrevivência (como comer três refeições ao dia). À frente da operação estava Salomon Sorowitzch (o ótimo Karl Markovics), outrora um dos maiores especialistas em falsificação e agora reduzido à prisioneiro. O filme perde pontos por cair em convenções e pela incômoda trilha sonora, que marca demais as cenas e manipula a reação do público. Cotação: B-

 

killshot08

* Tiro Certo (Killshot, 2008, dirigido por John Madden): Apesar do prestígio do diretor (que fez “Shakespeare Apaixonado” e “A Prova”), os produtores Weinstein não levaram fé em “Tiro Certo”, thriller policial com Diane Lane e Mickey Rourke. O filme foi rodado em 2006 (Rourke ainda não tinha “ressuscitado” com “O Lutador”), teve a estréia adiada, sofreu inúmeros cortes (um dos personagens – um policial corrupto interpretado por Johnny Knoxville – ficou na sala de edição) e quando finalmente chegou aos cinemas americanos, entrou em circuito tão pequeno que ninguém se deu conta. Conclusão: o filme já pode ser encontrado em DVD por lá e sua passagem pelos cinemas do Brasil não deve ser muito mais ilustre. E não é mesmo essa maravilha. Talvez a versão original fosse mais satisfatória; o que encontramos é um elenco interessante (além de Diane e Mickey, há ainda Thomas Jane, Gordon Levitt e Rosario Dawson) se esforçando para tornar o roteiro discutível melhor do que realmente é. Cotação: C+

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Categorias:Cinema
  1. 4 junho 2009 às 11:35 pm

    Louis, eu não assisti a nenhum dos filmes citados no post, mas pretendo ver ‘Budapeste’ e “Os Falsários”.

    PS: Sinto pelo seu amigo Leonardo e me solidarizo com você em seus sentimentos para com a família dele e de todos os outros envolvidos nessa tragédia.

    • 4 junho 2009 às 11:43 pm

      Ka, vi os dois em sequência, também com expectativas. Detestei o primeiro e apreciei com moderação o segundo!

      Quanto à tragédia, tem sido realmente difícil. Falei hoje com o irmão do Léo e disse que todo mundo aqui está mandando apoio!

  2. 5 junho 2009 às 1:32 am

    O mais recente filme de John Madden, me chamou atenção ! Pretendo ve-lo logo menos …

    • 5 junho 2009 às 1:52 am

      Cleber, este do Madden eu vi mais por uma questão de horário. Não me atraía muito, mas acabei gostando mais do que Budapeste (até porque não dá pra ficar pior que aquilo rsrsrs)…

  3. Alex Gonçalves
    5 junho 2009 às 3:12 am

    Louis, ao ler o seu resumo sobre “Killshot – Tiro Certo” acabei me lembrando sobre a presença do Johnny Knoxville. Achei muito estranho o filme, no fim das contas, ter sido exibido sem qualquer vestígio do ator. Mas eu gostei dele, é bem movimentado. E eu tenho muita vontade de assistir “Budapeste”, uma pena que você não tenha gostado.

  4. 5 junho 2009 às 5:20 am

    Achei Os Falsários muito bom, como você.

    Ainda não vi Budapeste, mas o livro é fantástico. E gosto muito do Leonardo Medeiros. Espero gostar do filme.

    Abraços!

    • 5 junho 2009 às 12:51 pm

      Alex, pois é, imagino que o Knoxville deva ter ficado frustrado de ter toda a sua participação cortada. Isso explica alguns furos do roteiro (e dizem que rodaram algumas cenas adicionais para complementar a ausência) e, talvez, numa versão sem cortes do diretor, o filme seja melhor com uma nova roupagem. Quanto a Budapeste, não é que não gostei: eu ODIEI! rsrsrs…

      Ciro, também acho Medeiros um bom ator (e demonstra muita desenvoltura atuando em húngaro!), mas o filme é intragável! 😉
      Abraço!

  1. 7 dezembro 2009 às 3:53 am

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