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Archive for junho \29\UTC 2009

As Melhores Temporadas da TV

Como há muito prometido, aí está o top 10 sugerido pelos leitores do Letters from Louis: uma lista das melhores temporadas das séries de TV. Porque entregar uma temporada só com episódios bons, sem tropeços ou topadas, não é pra qualquer um!

Os 10 escolhidos – em ordem decrescente – são:

 

10. Studio 60 on the Sunset Strip – Primeira Temporada

studio 60

Fiquei tão viciado em “Studio 60” que devorei os 22 episódios do primeiro ano num único final de semana. Para o meu azar, a série de Aaron Sorkin (que já apareceu em outro top 10, o das “Séries Boas Que Foram Canceladas”) teve apenas essa temporada. Saiu do ar pela baixa audiência (basicamente, era muito complexa para o espectador comum acompanhar), mas quem assistiu não se esquece – principalmente dos últimos quatro episódios, todos contínuos.

 

9. Damages – Segunda Temporada

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A segunda temporada de “Damages” foi ainda mais impressionante que a primeira (que já era de cair o queixo). Com a mesma narrativa fragmentada, com ainda mais saltos no tempo e maior número de reviravoltas escondidas, e com aquisições como William Hurt e Marcia Gay Harden a um elenco que já tinha Glenn Close e Rose Byrne, “Damages” pode ser encarado como um filmão ininterrupto de doze horas – um thriller que faz inveja aos lançamentos do gênero feitos para o cinema.

 

8. It’s Always Sunny in Philadelphia – Terceira Temporada

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Pouca gente conhece, mas pode confiar: é das mais engraçadas da atualidade! O ponto de partida é simples – um grupo de amigos sem-noção tocam um bar mixuruca na Pensilvânia -, mas dá muito pano pra manga (a cada episódio, mexem com um tabu da sociedade americana). Danny DeVitto se juntou ao elenco na segunda temporada (já são quatro, dentre as quais a terceira é minha preferida) e disputa com Alec Baldwin (“30 Rock”) o título de melhor comediante da TV. Para fãs de piadas ousadas, mas com conteúdo, fica a dica.

 

7. Life on Mars – Segunda Temporada

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Me refiro, é claro, à versão inglesa de “Life on Mars” (a refilmagem americana tinha seus méritos, mas não chegava aos pés – fizeram bem em cancelar logo no primeiro ano). Não sei como a trama se encerrou nos Estados Unidos, mas na original, os oito episódios da segunda temporada eram construídos ao redor do desfecho. E, meus amigos, que conclusão linda foi aquela! Levantei pra aplaudir de pé quando subiram os créditos ao som da música do David Bowie pela última vez.

 

6. Desperate Housewives – Primeira Temporada

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O Piloto foi brilhante, os episódios seguintes mantiveram o nível e, salvo um ou outro lapso, a primeira temporada de “Desperate Housewives” foi espetacular. Bons tempos em que Marc Cherry arrasava com sua sátira ácida, sexy e malandra ao american way of life! Fizeram por merecer o prestígio do público e da crítica, as 15 indicações ao Emmy, e os prêmios nobres como o de Melhor Direção e o de Melhor Atriz para Felicity Huffman.

 

5. Six Feet Under – Quinta Temporada

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Fiquei em dúvida: qual temporada de “Six Feet Under” escolher? A primeira ou a quinta? A série teve um início fantástico, se perdeu no meio do caminho (o terceiro ano é o meu menos favorito) e voltou a assombrar na reta final. Acabei optando pela última temporada, não só porque o ‘series finale’ já é um marco da TV americana, mas também porque os episódios anteriores (aquele ambientado no hospital, aquele do enterro do Nate e o antepenúltimo) são igualmente estupendos. E um pouco antes teve outro capítulo memorável, o da festa de aniversário! Lembra?

 

4. Grey’s Anatomy – Segunda Temporada

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A primeira já foi boa, mas a segunda temporada de “Grey’s Anatomy” foi decisiva para situar a série como algo além de “outro drama médico bacana”. O que me fez insistir em “Grey’s” depois das pavorosas quarta e quinta temporadas foi a doce lembrança desses episódios do segundo ano: quando todos os casos médicos emocionavam, quando todas as musiquinhas intercaladas às cenas comoviam, quando todos os personagens ainda estavam apegados às suas essências e, principalmente, quando Denny Duquette ainda não era um fantasma que incomoda muita gente.

 

3. Friday Night Lights – Primeira Temporada

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Aí está uma temporada que não teve um único episódio menos que “ótimo”. Logo de cara, me envolvi com os jogadores do Dillon Panthers, prendi a respiração quando Jason Street ficou paralisado e vibrei quando Matt Saracen saiu da reserva para levar o time à vitória. Poucas vezes me importei tanto com o destino dos personagens – todos eles queridos, sinceros e verossímeis. No season finale, fiz algo que nunca pensei que fosse capaz de fazer: chorei copiosamente com a final de um campeonato colegial de futebol americano!

 

2. Lost – Primeira Temporada

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Conheço uma porção de gente que se cansou de “Lost” depois da primeira temporada, assim que se deram conta de que os mistérios seriam respondidos com outros mistérios, e de que as explicações viriam racionadas, por vezes de forma insatisfatória. Faço parte do grupo que insistiu na série. Não me arrependo, mas não posso deixar de me lembrar saudoso da época em que os personagens ainda estavam se conhecendo, em que o elenco era lotado de bons atores (que foram sendo dispensados à medida em que morriam ou desapareciam na ilha, ou então quando causavam problema com a polícia do Havaí) e em que o clima de suspense instigava sem deixar o público impaciente ou exausto. Ao contrário do que acontece hoje em dia. 

 

1. The Sopranos – Terceira Temporada

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Depois da morte inesperada da atriz Nancy Marchand, que interpretava a crucial Livia Soprano, mãe de Tony, o criador David Chase teve que direcionar a terceira temporada de “Família Soprano” para novos personagens – e fez isso com a maestria habitual. Perdemos Nancy, mas ganhamos Joe Pantoliano (sensacional como Ralph Cifaretto, o personagem mais desumano que eu já vi na TV) e Jason Cerbone (como Jackie Jr, o namorado de Meadow Soprano que aspirava a um posto na máfia). Também foi aqui que tivemos o melhor episódio da série e um dos melhores de todos os tempos, “Pine Barrens” (aquele em que Christopher e Paulie vão cometer um assassinato na floresta, mas acabam perdidos na neve). Genial é pouco!

 

Obs: Sinto por não poder encaixar “Arrested Development”, a primeira temporada de “Dexter”, a segunda de “Nip/Tuck”, as duas de “Roma” e coisas finas do tipo, mas só tinha dez vagas disponíveis (e em casos como o de “Arrested”, teria que quebrar a cabeça para decidir qual temporada listar, já que nenhuma teve pontos negativos).

Em todo caso, responda a pergunta do dia: como ficaria a sua lista de melhores temporadas? Ao comentar, não se esqueça de deixar sugestões para o próximo top 10!

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Categorias:Top 10, TV

Diários de Sofia Coppola

A filha de Francis Ford Coppola, Sofia, comeu o pão que o diabo amassou antes de se firmar como diretora e roteirista cult. Ela foi massacrada por sua estreia no cinema – como atriz, num filme do pai, “O Poderoso Chefão III” – e ficou ao léo, sem saber o que fazer da vida, experimentando a fotografia e diferentes formas de arte. É evidente, portanto, que a personagem de Scarlett Johansson em “Encontros e Desencontros”, longa que rendeu à Sofia o Oscar de Melhor Roteiro Original, é altamente autoral: uma moça perdida, solitária e incompreendida. Para não deixar dúvidas sobre o caráter autobiográfico, Sofia inventa para a personagem um marido frio e indiferente, uma alfinetada óbvia ao seu ex Spike Jonze (levando mais à fundo a analogia, a atriz que eles encontram no hotel – interpretada pela sempre interessante Anna Farris – seria Cameron Diaz, que Sofia conheceu no set de “Quero Ser John Malkovich”, dirigido por Spike).

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Mas este alter-ego da diretora é só um lado da moeda de “Encontros e Desencontros”. A outra face do filme é o ator em crise de meia-idade Bob Harris (Bill Murray no melhor momento de sua carreira), que vai à Tóquio gravar um comercial de uísque pela bagatela de dois milhões de dólares (“ao invés de fazer uma peça”, como ele mesmo diz). No hotel conhece a americana Charlotte (Scarlett). Ambos percebem de imediato que tem muito em comum e vão se conhecendo melhor – rola um clima, mas sempre muito platônico -, ao mesmo tempo em que se entendem com a cultura oriental.

Para quem já visitou o Japão, como é o meu caso, “Encontros e Desencontros” é ainda mais curioso, pois retrata com enorme precisão o país aos olhos de um turista de primeira viagem. Tudo o que os personagens passam – visitas à templos, karaokês, fliperamas, ou mesmo à piscina e sauna do hotel – são experiências reais, exatamente como é mostrado. O bacana aqui é como a Sofia-diretora capta esses momentos (liga a câmera no meio da multidão e deixa os atores à vontade para improvisar, registrando tudo em estado de performance), e como a Sofia-roteirista volta essa estranheza cultural para os problemas mais íntimos de Bob e Charlotte. O resultado é uma obra muito pessoal e particular que confirma o poder de fogo do cinema independente americano.

.:. Encontros e Desencontros (Lost In Translation, 2003, dirigido por Sofia Coppola). Cotação: A+

Categorias:Cinema

Romance, Comédia e Ação

Escolha seu gênero favorito e vá ao cinema. As últimas estreias avaliadas pelo Letters from Louis são:

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* De Repente, Califórnia (Shelter, 2007, dirigido por Jonah Markowitz): O público gay tem gostado muito do romance homossexual “De Repente, Califórnia”, que estreia no Brasil com atraso e em cinemas selecionados. A verdade é que o filme não é assim tão especial. É uma história de amor convencional entre dois rapazes, um deles surfista. Mostra a dificuldade de aceitação pessoal e o preconceito dos esportistas com o tema, mas as soluções são fáceis demais e os personagens, extremamente bonzinhos. O elenco é desconhecido e irregular (quem se sai melhor é a mais famosa, Tina Holmes, que esteve na quinta temporada de “Six Feet Under”). Já a trilha sonora é uma delícia – principalmente as canções originais de Shane Mack, uma variante de Jack Johnson. Cotação: C+

ghosts

* Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (Ghosts of Girlfriends Past, 2009, de Mark Waters): Mais uma vez se aproveitam da famosa história Christmas Carol, de Charles Dickens. Dessa vez, o sovina Scrooge, que é visitado no dia de Natal por fantasmas do passado, presente e futuro, assume a forma de um fotógrafo mulherengo (Matthew McConaughey, que continua investindo em comédias românticas). Ele comparece ao casamento do irmão (é inverno, mas não é Natal), mas desanima a todos com seu pessimismo em relação ao amor – o público logo percebe, porém, que há sentimentos mais fortes entre ele e uma das madrinhas, Jennifer Garner. O resultado se divide entre o constrangedor, o sem-graça, o óbvio e, em momentos mais inspirados, o bonitinho. Não vale o ingresso, mas as mulheres que tomam a forma dos fantasmas e a ponta de Michael Douglas como o tio falecido (ele, aliás, é o único do elenco que assume a canastrice) conferem certa diversão. Cotação: D+

international

* Trama Internacional (The International, 2009, dirigido por Tom Tykwer): O alemão Tykwer – dos ótimos “Corra, Lola, Corra” e “Perfume” – volta com um thriller de espionagem discutível filmado em diferentes partes do mundo. O elenco está no piloto automático (o protagonista Clive Owen, também em cartaz com “Duplicidade”, repete o tipo truncado, e Naomi Watts não tem maiores chances com a personagem bocó que é dispensada sem cerimônia no terço final) e o roteiro irrita com tanto didatismo (leia-se “conversas artificiais entre os personagens para que o público entenda o que está se passando”). O que faz valer por toda a experiência de assistir ao filme é uma única cena de mais de dez minutos. Me refiro, é claro, à fascinante sequência de tiroteio coreografada pelo próprio diretor. Das melhores cenas de ação da temporada! Cotação: B-

Boa sessão!

Categorias:Cinema

RIP Michael Jackson

O primeiro e único Rei do Pop. O cara que ditou as regras no cenário musical dos anos 80, que mudou a indústria e o conceito de popstar, que transformou a MTV em potência e que lançou um dos discos mais incríveis de todos os tempos, Thriller. Um gênio absoluto e inigualável – e uma perda inestimável para o mundo do espetáculo. Descanse em paz, Michael!

michaelj

1958 – 2009

Categorias:Diversos, Gente, Música

A Piada do Ano

Filme B e mais uma porção de veículos informam:
“O presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), Sid Ganis, anunciou nesta quarta-feira que serão 10 os indicados ao Oscar na categoria de melhor filme. A mudança já passa a valer a partir da próxima edição do prêmio, em 2010. Na coletiva de imprensa, Ganis afirmou que ‘a Academia está retornando às suas raízes’. Em seus primeiros anos, a premiação contava com uma média de 10 indicados ao prêmio principal; em 1934 e 1935, foram doze os filmes que receberam indicação ao Oscar de melhor filme. 1943, ano em que Casablanca faturou o Oscar, foi o último ano a incluir mais de cinco filmes na disputa. ‘Ter 10 indicados vai permitir aos membros da Academia reconhecer e incluir alguns dos filmes fantásticos que freqüentemente aparecem em outras categorias do Oscar, mas que acabam ficando de fora da disputa pelo prêmio principal’, afirmou Ganis. As indicações ao prêmio serão anunciadas no dia 2 de fevereiro, uma terça-feira.”
Resta a dúvida: o que é que os velhinhos da Academia estavam pensando??? Não consigo enumerar as desvantagens em lotar a categoria máxima do Oscar com dez indicados. Primeiro porque é só dar uma olhada na categoria Melhor Diretor para perceber quais são os frontrunners e quais são os cinco filmes que entraram para fazer volume (a menos que estendam as dez vagas à categoria de Direção – outro absurdo). Segundo porque isso não é garantia de que as injustiças vão parar por aqui – é mais provável que, ao invés de cinco equívocos, cometam dez. Terceiro porque a cerimônia vai ficar ainda mais inflada e alongada (ou seja, se a prioridade dessa mudança é a audiência, estão se dando um tiro no pé). Quarto porque prever os indicados vai ficar muito mais fácil (e, consequentemente, menos interessante). E quinto porque tantos indicados vão anular o prestígio de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme – “quanto todos forem super, ninguém mais vai ser”.
Diga NÃO à banalização ao Oscar! Dignidade já!

Filme B e mais uma porção de veículos informam:

“O presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), Sid Ganis, anunciou nesta quarta-feira que serão 10 os indicados ao Oscar na categoria de melhor filme. A mudança já passa a valer a partir da próxima edição do prêmio, em 2010. Na coletiva de imprensa, Ganis afirmou que ‘a Academia está retornando às suas raízes’. Em seus primeiros anos, a premiação contava com uma média de 10 indicados ao prêmio principal; em 1934 e 1935, foram doze os filmes que receberam indicação ao Oscar de melhor filme. 1943, ano em que Casablanca faturou o Oscar, foi o último ano a incluir mais de cinco filmes na disputa. ‘Ter 10 indicados vai permitir aos membros da Academia reconhecer e incluir alguns dos filmes fantásticos que freqüentemente aparecem em outras categorias do Oscar, mas que acabam ficando de fora da disputa pelo prêmio principal’, afirmou Ganis. As indicações ao prêmio serão anunciadas no dia 2 de fevereiro, uma terça-feira.”

Resta a dúvida: o que é que os velhinhos da Academia estavam pensando??? Não consigo enumerar as desvantagens de lotar a categoria máxima do Oscar com dez indicados. Primeiro porque é só dar uma olhada na categoria Melhor Diretor para perceber quais são os frontrunners e quais são os cinco filmes que entraram para fazer volume (a menos que estendam as dez vagas à categoria de Direção – outro absurdo). Segundo porque isso não é garantia de que as injustiças vão parar por aqui – é mais provável que, ao invés de cinco equívocos, cometam dez. Terceiro porque a cerimônia vai ficar ainda mais inflada e alongada (ou seja, se a prioridade dessa mudança é a audiência, estão se dando um tiro no pé). Quarto porque prever os indicados vai ficar muito mais fácil (e, consequentemente, menos interessante). E quinto porque tantos indicados vão anular o prestígio de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme – “quanto todos forem super, ninguém mais vai ser”.

Diga NÃO à banalização do Oscar! Dignidade já!

Categorias:Cinema, Premiações

Em DVD: O Menino do Pijama Listrado

“O Menino do Pijama Listrado” foi uma das melhores descobertas literárias que fiz em 2007. Comprei o romance de John Boyne no aeroporto, interessado na descrição da contra-capa (ou na falta dela, já que tudo o que informava era que aquela era a história de um garoto de oito anos, mas que o livro não era recomendado para crianças dessa idade). Devorei tudo numa sentada, e quando o avião aterrisou, lá estava eu, atordoado, como se tivesse levado uma tijolada na testa – e este incômodo que a obra oferece (como toda boa obra o faz) está presente na adaptação cinematográfica dirigida e roteirizada por Mark Herman (do bom e diferente “Laura – A Voz de Uma Estrela”). Ele é muito feliz nas passagens que escolhe para comprimir ou para dar maior destaque, e a tarefa não é fácil: “O Menino do Pijama Listrado” se propõe a mostrar o nazismo da perspectiva de uma criança (no livro, a descoberta do tema fica por conta do leitor; no cinema é mais difícil manter essa surpresa, uma vez que já no primeiro instante somos contextualizados à época e período).

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A trama não é lá tão inédita, mas muito envolvente: Bruno (Asa Butterfield, um menino lindo e muito bem escolhido) deixa Berlim com os pais e a irmã. Vai morar ao lado do campo de extermínio de Auschwitz, pelo qual o pai (David Thewlis) é responsável (mas a mãe, interpretada por Vera Farmiga, tem boa índole e não sabe o que se passa por lá – aliás este é o único ponto condenável do filme: insinuar que nenhum alemão, nem mesmo a esposa do chefe de Auschwitz, tinha noção de que judeus estavam sendo mortos). De qualquer forma, Bruno, que é muito curioso, vai explorando a propriedade até se deparar com a cerca do campo, e com um menininho careca e desnutrido sentado do lado de dentro. Como Bruno não fazia ideia do que era o nazismo (pelo contrário, pensava que Auschwitz era uma grande fazenda), ele supôs que os uniformes que os judeus eram forçados a usar nada mais eram do que pijamas listrados (daí o título). O menino do pijama listrado se apresenta como Schmuel (outro garotinho ótimo chamado Jack Scanlon), e entre as duas crianças vai nascer uma amizade que desafia qualquer Guerra ou doutrina.

Os fãs do livro não terão motivos para reclamar: todo o essencial está aqui, transposto com cuidado e respeito por Herman. O diretor parece estar ciente de que cinema e literatura são meios extremamente diferentes, que os filmes são mais realistas e que não aceitam soluções muito simbólicas ou alegóricas (foi o que comprometeu, por exemplo, “Ensaio Sobre a Cegueira”, do Fernando Meirelles). Com um conceito muito claro do que estava fazendo, Mark dispensou a narração em off (seja em primeira, seja em terceira pessoa), mas ainda assim deu conta de que o público entendesse o raciocínio do protagonista; dá tempo para que todos compreendam a armadilha em que Bruno se encontra, para depois testemunharem uma série de eventos que guiam para uma tragédia, sem poder fazer nada para evitá-la. Vale conhecer esta produção inglesa muito bem feita que faz um retrato duro, cruel e importante da infância – com força e impacto há muito não vistos numa fita do gênero.

.:. O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas, 2008, dirigido por Mark Herman). Cotação: B+

Categorias:Cinema

Quais as chances disso não ser sensacional?

Dê só uma olhada nas primeiras imagens de Alice no País das Maravilhas, a próxima viagem de ácido de Tim Burton, e tente responder a pergunta acima.

Na ordem: Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Anne Hathaway.

jdepp

helenab

anneh

Sem comentários. Deixo o assombro por conta de vocês.

Categorias:Cinema