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Mais Mini-Resenhas

Comentando brevemente alguns filmes que vi nas últimas semanas – mais especificamente, aqueles que tiveram algum membro do elenco premiado ou indicado ao Oscar.

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* A Família Savage (The Savages, 2007, dirigido por Tamara Jenkins): Depois de Marion Cotillard, a próxima na fila pelo Oscar de Melhor Atriz – na minha opinião, é claro – seria Laura Linney, que entrega a melhor interpretação de sua carreira neste “A Família Savage”. Ironicamente, Linney foi esnobada por todos os principais prêmios precursores e quase não conseguiu essa indicação. Não é difícil entender o porquê: Wendy Savage é uma personagem contida, introspectiva, quase desprovida de arroubos dramáticos – e todos sabemos que muita gente confunde gritaria com boa atuação, né? Linney interage lindamente com Philip Seymour Hoffman e, num papel menor, está Philip Bosco como o pai dos dois. Um drama sensível e comovente que cresce a cada assistida. Cotação: A-

* A Última Ceia (Monster’s Ball, 2001, dirigido por Marc Foster): Quer reclamar do Oscar da Halle Berry? Pois então que não o faça na minha frente! O blogueiro que vos fala é grande admirador do trabalho da mulata em “A Última Ceia”, filme difícil e pesado sobre o envolvimento de um policial racista com a esposa de um prisioneiro condenado à morte. A interpretação da Halle é um grande exemplo do que chamam de tour de force, ou seja, uma excepcional conquista artística. A personagem é matizada, cheia de conflitos internos que o filme dá tempo para o espectador compreender. Nós percebemos a armadilha emocional em que ela se encontra e, com extrema competência, Halle projeta essas emoções de dentro pra fora. Já o parceiro Billy Bob Thorton parece fazer o oposto; atua com a frieza e antipatia habitual e é prejudicado pelo roteiro, que lhe propõe mudanças drásticas de postura sem delinear muito bem o motivo dessa transição. Temos também Heath Ledger em outra marcante participação. Cotação: B+

bonnie_clyde_465x402* Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967, dirigido por Arthur Penn): Num de seus filmes anteriores, o superior “O Milagre de Annie Sullivan”, o diretor Penn tinha rendido o Oscar às suas duas atrizes – Anne Bancroft e Patty Duke. Aqui ele consegue feito ainda mais notável: indicou cinco integrantes do elenco ao prêmio, e em todas as quatro categorias de atuação. Ganhou na mais inesperada: Atriz Coadjuvante para Estelle Parsons, que faz a chata e histérica cunhada de Clyde. A famosa história do casal de ladrões de banco que atuava nos Estados Unidos durante a Grande Depressão é narrada com capricho e competência – mas ouço elogios tão fervorosos ao filme que, ao conferí-lo, fiquei na dúvida se é “pra tanto”. Cotação: B+

* Fargo – Uma Comédia de Erros (Fargo, 1996, dirigido por Joel Coen): Essa violentíssima comédia de humor negro é a cara dos irmãos Coen por vários motivos. O principal deles é apresentar uma sucessão de personagens anticonvencionais, todos eles sem um pingo de caráter. Apenas a protagonista, uma policial grávida (Frances McDormand, no papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz), consegue preservar um pouco de compaixão diante de tanta brutalidade. Endosso o Oscar de Roteiro Original, mas Frances poderia ter deixado o seu para a sublime Emily Watson em “Ondas do Destino” (outro que revi recentemente e que é divino). Cotação: A+

the-people-vs-larry-flynt-1996* O Povo Contra Larry Flint (The People vs. Larry Flint, 1996, dirigido por Milos Forman): Woody Harrelson concorreu ao Oscar de Melhor Ator pelo seu retrato do desbocado Larry Flint, editor da revista pornográfica Hustler que enfrentou uma série de processos na justiça americana. Mas para mim a grande revelação do longa é Courtney Love, que contrariou todo o ceticismo que envolvia sua carreira de atriz e deu um show como a esposa aidética de Larry – foi bastante premiada pela crítica (inclusive pelo prestigiado círculo de Nova York) e deveria ter sido lembrada pelo Oscar. Edward Norton também marca presença como o advogado de confiança, um de seus primeiros papéis de destaque. Cotação: A- 

* Pelle, o Conquistador (Pelle erobreren, 1987, dirigido por Bille August): Dustin Hoffman está muito bem em “Rain Man”, mas se dependesse de mim, o Oscar de Melhor Ator que ele levou teria ido para um concorrente ainda mais nobre, Max von Sydow em “Pelle, o Conquistador”. Ele está extraordinário como um camponês viúvo e humilde, que faz de tudo para que o filho pequeno não seja vítima da miséria que os rodeia. Co-produção entre Suécia e Dinamarca, o filme venceu a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Produção Estrangeira, e é um dos exemplares mais tocantes sobre a relação pai-e-filho que eu já vi. Cotação: A+ 

* Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999, dirigido por Spike Jonze): A primeira viagem de ácido de Charlie Kaufman resultou nesse roteiro esquisito e anticonvencional sobre um portal mágico que leva, quem entra nele, direto para a mente do ator John Malkovich (ele embarca na brincadeira e se autoparodia com bom-humor e espírito esportivo). O elenco é um capítulo à parte – de John Cusack posando de fracassado à Cameron Diaz como a esposa feia e fanática por animais que descobre ser um homem! Além, é claro, do próprio Malkovich e da divertidíssima Catherine Keener, indicada ao Oscar como Atriz Coadjuvante. Imperdível! Cotação: A+

Todos os citados acima valem ser vistos ou revistos. Vai aí.

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Categorias:Cinema
  1. 27 maio 2009 às 2:02 am

    Quanto filme bom num único post, hein! Acho que “Fargo” é meu favorito, inclusive ainda considero o melhor dos Coen. Mas “O Povo Contra Larry Flint” também é excelente, baita filme subestimado!

    • 27 maio 2009 às 8:45 am

      Selecionei só os melhores dessa vez, Vinícius! E desses aí, Fargo também é o que eu mais gosto! E também acho O Povo Contra Larry Flint subestimadíssimo! Merecia, no mínimo, uma indicação a Melhor Filme no Oscar!

  2. Alex Pizziolo
    27 maio 2009 às 9:09 am

    Desses aí, o único que vi é “A Última Ceia” e não gostei não…
    Acho a atuação de Halle Berry exagerada e não concordo com seu Oscar…
    E aquela cena de sexo é super desnecessária…
    Preciso conferir esses que vc citou aí!
    Quero muito ver “A Família Savage”, “Quero Ser John Malkovich” e “Fargo”.

    • 27 maio 2009 às 10:14 am

      Jamais exagerada, Alex! Apesar da concorrência aquele ano não ser mole, não consigo reclamar do Oscar da Halle. E a cena em questão é pesada, mas não gratuita.

      Imaginei que você já tivesse visto A Família Savage… É um filmão, e Linney está apaixonante como de costume. Também recomendo todos os outros sem ressalvas.

  3. 27 maio 2009 às 2:05 pm

    Anseio por assistir a FAMÍLIA SAVAGE, PELLE e BONNIE & CLYDE, e concordo com os elogios tecidos a LARRY FLINT (o melhor longa americano de Forman), JOHN MALKOVICH e, em menor grau, FARGO.

    Cumps.

  4. Weiner
    27 maio 2009 às 4:50 pm

    Grandes filmes, com exceção de “Fargo”, que acho muito mirabolante (como a grande amioria dos filmes dos Coen).
    Minhas notas:
    A Família Savage: 8,0
    A Última Ceia: 7,0
    Bonnie e Clyde: 9,5
    Fargo: 5,0
    Pelle, o Conquistador: 8,5
    Abraço, Louis!

  5. 27 maio 2009 às 8:15 pm

    Liricamente ótimo é o meu olhar sobre ‘A Família Savage’ – Ainda contou essa semana, com a obra-prima FARGO & BONNIE CLYDE, ou seja pelo visto teve uma ótima semana de filmes.

    PS: Só pra deixar claro, não entendo a sua forma de avaliação!

    • 27 maio 2009 às 8:21 pm

      Gustavo, desses, o único que assisti pela primeira vez foi Bonnie & Clyde, um pecado cinematográfico que reparei – embora não tenha achado essa obra-prima irretocável que pintam. Os outros, revejo ocasionalmente. Gosto muito de todos!!!

      Weiner, jura que não gosta de Fargo?? É o meu preferido dos Coen, acima até mesmo de Onde os Fracos Não Tem Vez! Abraço!

      Cleber, não tem segredo: a escala vai de A+ a E-, sendo o primeiro a nota mais alta e o segundo, a mais baixa. Convertendo para números, seria algo como A+ igual a 10, A- igual a 9, B+ igual a 8 e assim por diante. Faço dessa forma porque é o padrão de notas nos Estados Unidos, e ocasionalmente posto em fóruns internacionais. Quanto aos filmes, vi todos no espaço de um mês e pouco – os mais fraquinhos da semana eu preferi deixar de fora! 😉

  6. 28 maio 2009 às 12:01 am

    Dos filmes resenhados, os meus favoritos são “A Família Savage” e “O Povo Contra Larry Flynt”. Simplesmente porque conta grandes histórias, com ótimas direções e excelente elenco. Foram filmes que ficaram comigo. Ao contrário de outros do post, como “Fargo”, por exemplo, que considero ser superestimado.

    Beijo!

    • 28 maio 2009 às 5:50 am

      Ka, imaginei que você gostasse bastante de Larry Flint! Até porque foi nesse ano que o Norton começou a se destacar e conseguiu sua primeira indicação ao Oscar – por outro filme! 🙂

      Sabe que eu demorei pra gostar de Fargo? Sempre achei bom, mas só elevei à genial depois das duas últimas assistidas!

      Beijão.

  7. 29 maio 2009 às 5:16 am

    Putz, só filmão!

    Meu preferido sendo o brilhante “Quero Ser John Malkovich”, um de meus preferidos de todos os tempos. Seguido por “Fargo” (genial!), “A Última Céia” (intenso) e “A Família Savage” (singelo).

    Os outros não vi (ainda).

    Ciao!

    • 29 maio 2009 às 7:03 am

      Pois então coloque na fila de filmes a conferir, Wally! São todos imperdíveis, mesmo os menos cotados (que ainda assim receberam um significativo B+).

      Ciao! o/

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