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A terceira temporada de Big Love

“Big Love – Amor Imenso” é o filé mignon da programação atual da HBO. Ainda assim, está longe de ser tão reconhecido por público e crítica como foram anteriormente os carros-fortes da emissora, os dramas “Família Soprano” e “A Sete Palmos”. É tão pouco badalada que, apesar da terceira temporada já ter sido toda exibida nos Estados Unidos, metade dos dez episódios dessa leva ainda não tem legenda disponível – e os fãs que não tem um bom nível de inglês e não querem esperar pela transmissão na TV a Cabo (ou então aqueles que não pagam por canais adicionais, nem fazem um “gato” na antena do vizinho) vão ficar sem reencontrar a família polígama mais querida da televisão mundial por tempo indeterminado. Apesar da quarta temporada já ter sido confirmada pela HBO americana, o programa também não é um estouro por lá; tem uma audiência displicente e, mesmo tendo sido indicado a quatro Globos de Ouro (Melhor Série Dramática e Melhor Ator, por dois anos consecutivos), também não é amplamente reconhecido pelas cerimônias de premiação (o elenco precisava muito de uma indicação conjunta ao SAG e por que Jeanne Tripplehorn nunca foi indicada ao Emmy está além da minha compreensão).

big

Minha posição está clara: “Big Love” é uma série muito, muito subestimada. E olha que nem me coloco entre seus maiores admiradores e, sem-querer-comparar-mas-já-comparando, também não acho que esteja no mesmo patamar de qualidade de um “A Sete Palmos”. Mas é boa demais, ninguém pode negar. Tanto que Tom Hanks embarcou no projeto desde o início e se mantém envolvido até hoje, como produtor executivo. Também foi a série que revelou Dustin Lance Black, ganhador do Oscar pelo roteiro de “Milk – A Voz da Igualdade”. Como mencionou no discurso ao receber o prêmio, ele foi criado numa comunidade mórmon, e sua adição ao time de roteiristas foi imprescindível – Dustin deu detalhes de roupas, comportamentos, ritos etc. e tal que enriqueceram o universo que “Big Love” apresenta. Consequentemente, também veio a assinar o roteiro de alguns episódios e passou, a partir desse terceiro ano, a ser creditado como co-produtor.

Explico melhor para quem não está familiarizado com o plot: “Big Love” é um drama adulto, vendido pela HBO como muy polêmico e controverso, sobre uma conservadora família mórmon que pratica poligamia no Estado de Utah, onde tal prática é ilegal. Ou seja, eles vivem na surdina, tomando todas as cautelas e precauções para que nem mesmo os vizinhos descubram sua condição. Bill (Bill Paxton) está em conflito constante com o líder da comunidade mórmon onde passou sua infância – mas ao mesmo tempo em que deixou para trás aquele ambiente rural, pobre, retrógrado e subdesenvolvido para se tornar um homem de negócios bem-sucedido, Bill não abandonou os princípios de sua religião. É um fiel devoto que acredita na pluralidade de casamentos, e tenta levar uma vida correta e harmoniosa, apesar das suas três esposas serem bastante diferentes. A primeira, Barb (Tripplehorn), não foi criada com o “Princípio” e foi rejeitada por toda família quando concordou em viver com Bill sob essas regras. A segunda, Nicki (Chloe Sevigny), veio da comunidade assim como Bill, e é filha do líder local com quem o marido está sempre se atracando. E a terceira, Margene (Ginnifer Goodwin), era a babá da família, é bem mais nova que Bill, infantilizada e imatura. Dos oito filhos desses casamentos, a ênfase maior é nos dois mais velhos, interpretados por Douglas Smith e Amanda Seyfried (sim, a mocinha de “Mamma Mia!”).

biglove

Devorei a terceira temporada em sequência só para ficar me perguntando como pude ter deixado de lado por tanto tempo – não vou entrar em detalhes para aqueles que não viram os episódios poderem acompanhar o texto. “Big Love” é viciante, envolvente, tenso, e por vezes, não me aflora as melhores sensações. Tem muito personagem mau caráter, e o medo de que a família possa ser exposta a qualquer momento me agoniza. Mas eu amo as sister-wives do fundo do coração, e os “vilões” (que existem aos montes) são daqueles que adoramos odiar. Só Bill não me apetece muito. Paxton está sempre com a mesma cara de contrariado, e esse samba-de-uma nota-só fica ainda mais vergonhoso quando comparado com o desempenho fenomenal das três esposas. Outra que cresceu bastante nessa temporada foi Amanda Seyfried – sua personagem ganhou espaço; teve uma trama ótima que ela tirou de letra e, por mim, seria indicada ao Emmy de Atriz Coadjuvante. A quem se pergunta: sim, a história da Ana, a pretendente a quarta esposa, não é deixada sem solução. O problema é que tudo se encerra rápido demais (num único episódio, acontecem todos os eventos que levam a esse desfecho). Houve ainda nova participação de Ellen Burstyn e, nos três últimos capítulos, de Zeljko Ivanek, que está em todo raio de série hoje em dia (“Damages”, passando pelo Piloto de “The Mentalist”, pelo homem que faz todo mundo de refém em “House”, pelo vampiro-líder em “True Blood” e, ao que me dizem, por “Heroes” – que não vejo).

Ainda duvida que “Big Love” seja coisa fina? Aos interessados, corram atrás das duas primeiras temporadas e se matriculem num curso de inglês para conseguir acompanhar esta (ótima) terceira.

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Categorias:TV
  1. 25 maio 2009 às 12:31 pm

    Há um tempo atrás peguei um episódio dando na HBO e fiquei de cara…
    Mas ainda não tive tempo de conferir nada da série!
    Mas em breve verei todas as temporadas!

  2. Alex Gonçalves
    25 maio 2009 às 8:16 pm

    Eu queria assistir “Big Love” por causa da Chloe Sevigny e da Jeanne Tripplehorn. Eu adoro essas duas! O problema é que não tenho tempo para seriados… 😦

    • 25 maio 2009 às 8:29 pm

      Alex, é bom demais, né? Quando tiver um tempinho livre, veja – é muito bem feita e o interesse nunca vacila!

      Outro Alex (rsrs), adoro essas duas atrizes – e Goodwin, a terceira esposa, eu só vim a conhecer aqui (não me lembrava dela como a mulher do Joaquin Phoenix em Johnny & June), mas também é luminosa e está aos poucos conquistando seu lugar nos cinemas. Só a falta de tempo que é um problema, hein? 😦

  3. peelins
    25 maio 2009 às 11:46 pm

    Vou pegar o conselho e dar uma espiada em Big Love, UIAHSIUAHSUIHAUIS.
    AHH, Louis. Eu fiz meu primeiro post lá no blog. Estou ansioso, pois sou novato nisso aqui. UIASHUIAHSIUA. Se for lá, espero qeu curta, OK? Tchau.
    Esperando o próximo post seu, cara. (:

    http://peelins.wordpress.com

  4. 26 maio 2009 às 12:37 am

    louis, eu vi uns dois episódios perdidos de BIG LOVE e gostei. é meio difícil não gostar do que vem da HBO. mas assim como o alex tô meio sem tempo pra acompanhar seriados. exceção feita a lost, é claro. mas to pensando em colocar em dia alguns nas férias.

    a propósito, vc sabe algum seriado que ta na primeira temporada ou que está prestes a estreiar? to afim de algo novo.

    Abraço

  5. cinematveblablabla
    26 maio 2009 às 2:08 am

    Achei um site que tem todas as temporadas em torrent e com legendas em português (inclusive a 3ª)!
    Aqui o link: http://filmescomlegenda.blogspot.com/2009/03/big-love-amor-imenso-1-3-temporadas-big.html
    Esse site é ótimo, tem de tudo!

    E estou estreiando um novo blog, com o WordPress agora!
    Te vejo lá!

    • 26 maio 2009 às 4:38 am

      Peelins (Vítor), já passei pelo seu blog! Boa sorte na empreitada! 🙂

      Shaun, eu faço o mesmo que você: vejo ocasionalmente algumas séries e, nas férias, aproveito para colocar em dia alguma que eu sempre tive vontade de ver (em alguns casos, já foram até canceladas quando começo a ver)! Se você está atrás de alguma série que estreou agora, tem Glee, do criador de Nip/Tuck, uma comédia de humor negro sobre o coral de uma escola americana; tem The Cleveland Show, o spin-off de Family Guy que eu mal posso esperar para ver! Tem True Blood, bizarra série de vampiros do Alan Ball que, até então, só teve uma temporada. E United States of Tara, criada pela Diablo Cody, sobre uma mulher com múltiplas personalidades (Toni Collette dá um show no papel principal). Se tiver um tempinho, fica a dica! Abraço!

      CinemaTVeBlablabla (a.k.a. Alex), obrigado pelo site – pena que, a essa altura, eu já tenha visto tudo de Big Love! Aproveita e experimenta baixar! 😉

  6. 27 maio 2009 às 1:23 am

    louis, valeu pelas dicas. True Blood eu vi a primeira temporada e achei excelente. to aguardando a proxima…

    vou dar uma olhada nas outras… abraço.

  7. Lucas Dias
    20 julho 2009 às 10:42 pm

    Big Love é excelente, ñ acompanhei as primeiras temporadas, mas as ultimas tive o provilegio de ver, eu sou MORMON, rsrsr, e para mim é engraçado e eu entendo mais facilidade…
    Recomendo.
    Principalmente o episodio que mostra trecho de um ritual secreto ( real ), da religião… muitoo Bom.

    Abração!

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