De boa: o que vocês acham da Katherine Heigl? Poucas atrizes dão tanto a falar hoje em dia quanto ela. Os fãs de “Grey’s Anatomy”, onde Heigl interpreta a emotiva Dra. Izzie Stevens (como vocês já sabem), dividem-se entre os que a defendem com unhas e dentes e os que não tem paciência com ela (tá bom, mas não se irrite!). Como pessoa, Heigl também é controversa: vira e mexe se dá a falar o que pensa, e quase sempre, o que pensa é asneira. Ela acabou se queimando, por exemplo, com aquela história de não se inscrever na disputa do Emmy no ano passado, alegando que não teve um material bom o suficiente. Vendo a série não dá para discordar, porque a participação dela na quarta temporada foi simplesmente ridícula, mas falar em público? Que coisa feia! Minha opinião: Katherine perdeu uma grande chance de ficar calada; o declínio em “Grey’s Anatomy” foi geral e afetou, de um jeito ou de outro, todos os personagens. Ela queria o quê? Que a storyline dela estivesse sempre em evidência e ofuscasse todas as demais, como foi com Denny Duquette no final da segunda temporada? Afe. Os roteiristas, é claro, ficaram pê da vida com essa declaração – afinal, se não fosse pelo grande momento que eles lhe proporcionaram (Izzie descobrindo que a filha que deu para adoção tem leucemia), Heigl não teria levado o Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante um ano antes. Teve quem apostasse, ainda, que essa insatisfação mútua nada mais era do que um desejo latente de Katherine de largar a TV e se dedicar exclusivamente ao cinema.

É nesse ponto que eu queria chegar. Será que Katherine Heigl tem o necessário para fazer essa transição de forma sólida? Não vou entrar em mérito de comparação, dizer que George Clooney começou em E.R. e hoje é um astro ou nada do tipo (porque, bem, para cada ator que veio de um seriado e deu certo no cinema tem outros vinte que fracassaram). Os pré-requisitos Heigl já tem: é bonita, talentosa, versátil, interessante e cheia de personalidade. E demonstrou isso nos seus sucessos recentes, as comédias românticas “Ligeiramente Grávidos” e “Vestida Para Casar”. No primeiro ela interpreta uma âncora do canal E!, muito centrada e bem resolvida, que engravida de um homem que é o oposto disso (Seth Rogen, fazendo seu tipo habitual). No segundo, faz uma mulher que já chegou aos 30 e foi dama de honra 27 vezes, mas nunca a noiva (o par romântico é o galã James Marsden). Enquanto em “Ligeiramente Grávidos” Katherine se acomoda muito bem numa personagem completa, que faz o público rir e lacrimejar sem problemas na mudança de tom, em “Vestida Para Casar” ela não precisa se esforçar para criar a mocinha bidimensional e bobinha – e sem perder a chance de criar polêmica, comentou depois que ficou decepcionada com o filme, já que o espectador adivinha o final nos primeiros minutos. Minha opinião: ela não deixa de ter razão, mas também considero “Vestida Para Casar” um entretenimento honesto.
Essa crítica, autêntica ou não, pode significar duas coisas: Katherine é uma dessas atrizes exigentes, para quem se desafiar em papéis cada vez melhores é a prioridade; ou Katherine não perde a chance de se “aparecer”, tipo uma Susana Vieira da América. O engraçado é que, mesmo falando mal do filme, ela anuncia o próximo projeto e, voilà, é outra comédia romântica (“The Ugly Truth”, com Gerard Butler, cujo trailer você confere aqui), que parece tão formulaica e derivativa quanto a anterior. Conclusão: ou ela está esperando se firmar no cinema antes de buscar variedade, ou se assentou definitivamente no cargo de protagonista de comédias cada vez mais apáticas (mais ou menos como Sandra Bullock, que só faz filmes parecidos, jura que o próximo vai ser mais sério, diferente e ousado, e sempre retorna com o mesmo truque). Uma pena que Katherine esteja indo pelo mesmo caminho – porque potencial, ela tem, independente de quem detesta a sua personagem em “Grey’s Anatomy” ou não.