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Archive for março \31\UTC 2010

A série que mais amo

Comentei timidamente sobre o quanto “Greek” estava crescendo no meu conceito naqueles posts semanais grandinhos sobre as várias séries que acompanho. Mas o desfecho da terceira temporada me causou uma impressão tão forte que resolvi que chegou a hora de “Greek” ganhar um post individual e caprichado. Produzida e exibida pela modesta ABC Family, a série é sobre as fraternidades das universidades americanas (não se tem algo parecido no Brasil; repúblicas estudantis seriam o nosso substituto aproximado). Começou como um entretenimento honesto, ainda que derivativo e formulaico. Era, no entanto, capaz de agradar e envolver, sempre com muita leveza, sem apelar para baixarias ou ofender, brincando no processo com os clichês do cinema e da TV (é o programa atual com maior número de referências à cultura pop, em especial outros seriados e filmes adolescentes clássicos dos anos 80).

O protagonista é o nerd Rusty, um calouro na faculdade (ou “bixo”, como chamam os paulistas), que resolve se alistar numa irmandade para fazer amigos, conhecer garotas, participar das melhores festas – ter, enfim, a diversão que lhe fora negada no colégio (todos conhecem o sistema de castas que rege a vida dos adolescentes americanos: os populares são os extrovertidos e bonitos por natureza, enquanto os tímidos, inseguros e de aparência comum enfrentam ostracismo). A irmã de Rusty, Casey, é ela mesma membro de uma dessas casas – sonha, inclusive, em ser a presidente interina do lugar, mas tem que brigar pelo posto com a cascavel Frannie. Casey tem uma fiel escudeira, a melhor amiga Ashleigh; e eventualmente Rebecca, a mimada filha de um deputado, também se torna simpática e partidária das duas. Do passado amoroso de Casey fazem parte Evan Chambers, um lobo em pele de cordeiro, riquinho e esnobe, e Cappie, um irresponsável e desleixado que só quer saber de curtir a vida. O problema é que eles são os presidentes de duas fraternidades rivais, a fresca e engomada Omega Chi, e a festeira Kappa Tau. Rusty se alista na segunda, e por isso entra em conflito com o amigo Calvin, que vai para a primeira (também ganha a antipatia de Chambers, então namorado de sua irmã). Completa os personagens fixos Dale, o colega de quarto gordinho e religioso de Rusty.

A primeira temporada foi focada nos trotes a que os candidatos das fraternidades são submetidos, e da segunda em diante, a tensão se voltou para a rixa entre as casas. A terceira, que se encerrou nesta Segunda nos Estados Unidos, foi sobre relacionamentos. Tivemos aqueles troca-troca de casais, e as combinações amorosas mais variadas entre o grupo de personagens fixos (todos os mencionados acima, com exceção de Frannie, que se despediu da série). Mas tudo foi feito com tanto desvelo e cuidado que o espectador sequer fica revirando os olhos com impaciência (como faço atualmente com “Gossip Girl” e os personagens-malas que namoram alguém diferente a cada semana). Sob essa superfície, constatamos uma evolução notável de personagens e situações, e com uma unidade incrível. Mesmo que soe infantilizada de vez em quando, “Greek” tem a ver com amadurecimento – e ao final da season 3, testemunhamos muitos deles (que a essa altura já se tornaram amigos do peito) contestando os estereótipos em que foram encaixados, fazendo escolhas surpreendentes e se obrigando a crescer. A despedida definitiva de alguns deles da faculdade – e das pessoas especiais que conheceram lá – me fez lembrar de todos os amigos com que perdi contato. Nostalgia total!

Não é fácil botar um ponto final numa fase importante da nossa vida. Sair da nossa zona de conforto e assimilar o que a vida será a partir daí é uma das experiências mais assustadoras por que passamos. Claramente isso me toca num nível bastante pessoal – e mesmo que batido, dramaturgicamente falando, me emociono com “Greek”. Sinto mais com uma série simples e sem requintes do que com outra mais sofisticada e pretensiosa. E isso basta para que eu a recomende com entusiasmo, ou mesmo para que a considere a minha série favorita no ar. Faço um elogio extra à Amber Stevens, atriz novata que dá um verdadeiro show como Ashleigh – sem dúvidas, a personagem mais encantadora e apaixonante da TV. Ash, quero guardar você num potinho! Aos fãs, uma notícia excelente: a ABC Family, que não costuma ter séries muito duradouras, confirmou que a quarta temporada de “Greek” sairá do papel! Quem nunca viu pode correr atrás sem medo de ficar desamparado depois que viciar.

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Meu Kubrick favorito?

Perto de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, “Laranja Mecânica” e “Doutor Fantástico”, é difícil considerar “O Iluminado” o melhor trabalho do diretor Stanley Kubrick. Mas sempre que eu revejo o filme, fico com a impressão de que é, sim, o meu Kubrick favorito. Não é filme para ver sozinho, de madrugada, durante uma crise de insônia, mas me arrisquei mesmo assim (já ciente de que o medo me obrigaria a virar a noite em claro). Este é, disparado, o suspense mais assustador que eu já vi. O único que parece não ter gostado foi o autor do conto que o inspirou, Stephen King. Ele chegou a patrocinar uma refilmagem para televisão, mais fiel ao seu material – e justamente por esse motivo, dizem que é infinitamente inferior a essa versão de 1980.

“O Iluminado” deixou uma impressão tão forte que não é exagero dizer que temos aqui o filme definitivo sobre mansões mal assombradas. No caso, sobre um hotel afastado da civilização, vazio durante a baixa temporada, e o zelador que se muda com a família para lá a fim de cuidar da manutenção. Algo de sinistro aconteceu ali, e não demora para que o protagonista, isolado do mundo exterior, dê indícios de que está enlouquecendo. Mas seria loucura ou algo realmente sobrenatural? Seja como for, Jack Nicholson, que quando resolve arquear as sobrancelhas se torna a personificação do macabro, é o ator certo para o serviço! Como a esposa está a torta e esquisita Shelley Duvall, e como o filho paranormal dos dois, o eficiente Danny Lloyd (que não construiu carreira). Com esses elementos simples, mas muito bem articulados, formou-se o maior sucesso de bilheteria da carreira de Kubrick.

O clima bem firmado, os sustos reservados com precisão, a trilha sonora lancinante, a fotografia criativa e a direção de arte impecável continuam sendo qualidades imutáveis. Funcionam até mesmo os histrionismos das performances, dos exageros de Nicholson às caras e bocas de Shelley. Ela, aliás, viria a confessar que teve problemas com o diretor, que a levou à exaustão física e mental, forçando a repetição de algumas tomadas por centenas de vezes. Hoje, Shelley está afastada da mídia, isolada numa cidadezinha americana, porque diz que os ETs estão vindo buscá-la! Kubrick, o que o senhor fez com a coitada? Seja como for, a sanidade mental da heroína parece um preço baixo a pagar pelo resultado de “O Iluminado”. O filme resistiu bem ao tempo, e continua imbatível no posto de experiência mais superlativa que já tive com o gênero. Obrigatório!

.:. O Iluminado (The Shining, 1980, dirigido por Stanley Kubrick). Cotação: A+

P.S.: All work and no play makes Jack a dull boy!

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De tudo um pouco, ou um pouco de tudo

28 março 2010 5 comentários

Como está virando costume, aí vai um post resumindo minhas impressões sobre as séries da semana:

- Bem promissor, o retorno de “United States of Tara”. Na série, a maravilhosa australiana Toni Collette interpreta uma mãe de família com distúrbio de múltiplas personalidades. Na temporada anterior, ela aparecia caracterizada com os mais excêntricos figurinos, para que o público diferenciasse um “alter” de outro (são eles: uma dona-de-casa presa nos anos 50, uma adolescente vulgar e um caminhoneiro maltrapilho). Mas Collette se tornou tão boa na função que nem precisamos mais das roupas para reconhecer um e outro. No season premiere, a vimos se desfazendo de todas as “fantasias” dos alters. Só não pensem que eles vão desaparecer assim tão fácil… As tramas paralelas, como a da irmã interpretada por Rosemarie DeWitt e a do filho homossexual Marshall, também estão bem lapidadas. “Tara” funciona como um drama de personagem, e pelas mãos de Diablo Cody (a premiada roteirista de “Juno), também como uma comédia familiar atípica. Fruto do Showtime!

- Para muitos especialistas, “Breaking Bad” – sobre um professor de química que passa a produzir metanfetamina a fim de pagar seu tratamento contra um câncer – é um dos melhores dramas no ar. O season premiere, no entanto, não esteve à altura dessa badalação. Só que os dois atores, Bryan Cranston e Aaron Paul, são tão bons que eu nem ligo. Recomendo sem pestanejar!

- “Damages” demorou pra engatar, mas agora que chegamos à reta final e que as situações estão tomando forma, dá pra perceber que o saldo da terceira temporada será muito positivo!

- Imagine que eu estou comprimindo meu dedo indicador contra o polegar. Falta esse ‘tiquinho’ pra eu largar “Gossip Girl”! Gente do céu, nem parece a série que me fez devorar a primeira temporada de uma sentada só! A canastrice sempre esteve lá, mas sempre funcionou como um charme extra. Agora é só indício da enorme preguiça dos roteiristas. Última chance!

- Entrementes, “Greek” continua sendo minha série favorita. Pena de quem não vê!

- O episódio do Richard Alpert em “Lost” trouxe várias das respostas que os fãs mais fervorosos tanto cobram. E foi bem bom, até. Me deixou empolgado pelo que está por vir, apesar do finalzinho ter sido chupado de “Ghost” (só faltou a Whoopi Goldberg e “Unchained Melody” tocando ao fundo).

- “How I Met Your Mother” e “The Big Bang Theory” são o combo das minhas noites de Segunda (ou das tardes de Terça). Numa boa semana, rio igualmente com as duas. Dessa vez, ri bicas com Barney e sua turma (alguém realmente acha que o protagonista é o Ted? Tenha dó!), mas não esbocei um sorrisinho com a galera do Sheldon. Às vezes os roteiristas pesam a mão, e só o que consigo pensar é porque alguém suportaria o Sheldon por mais de dois minutos sem mandá-lo ir à merda.

- Já é a segunda semana consecutiva que “30 Rock” entrega episódios nota 6. Que é isso, Tina Fey?

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Salvem O Despertar da Primavera!

26 março 2010 8 comentários

Ao que parece, a temporada de “O Despertar da Primavera” nos teatros paulistanos pode ser mais curta do que se esperava. Manter uma produção deste nível custa caro. Não é como cinema, onde basta levar o rolo de uma cidade pra outra. Sempre que uma peça é deslocada (no caso, “O Despertar” tinha passado com muito sucesso pelo Rio), tem de levar bagagem grande: cenários, figurinos, acessórios, a equipe extensa, os atores, pagar transporte, estadia e alimentação, aluguel do espaço físico e daí por diante. Acontece que as opções de lazer na cidade de São Paulo são inúmeras. Como não temos praia para espairecer, nos voltamos para a cultura. Esse excesso nem sempre é positivo. Muita coisa boa se perde no emaranhado de programas, e ainda que o público de arte seja representativo, ninguém dá conta de ver tudo.

Só que você não está entendendo: “O Despertar” tem que estar na sua lista de coisas obrigatórias do ano. Você tem que ver. Mesmo se não curte musical. Mesmo se teatro não está na sua linha de entretenimento. Mesmo se você está na pindaíba financeira. A peça é simplesmente imperdível. É uma daquelas histórias que nos deixam extasiados, que falam intimamente com cada um de nós e que nos enriquecem como seres humanos. O preço do ingresso está super suave, bem de acordo com o bolso dos jovens, que vão se identificar especialmente com o enredo. Precisamos deste público disposto a expandir os horizontes para que o Brasil fortifique sua tradição no teatro musical. Isso tem acontecido através de importações constantes de sucessos da Broadway, com nível de profissionalismo equivalente ao internacional.

Moeller e Botelho

Nenhuma dessas importações, porém, se compara às conduzidas por Charles Moeller e Cláudio Botelho, responsáveis por “O Despertar”. Os dois entendem do gênero como poucos no país, e devem ser creditados pela criação desse cenário positivo. Estiveram envolvidos ultimamente com a produção de “Avenida Q”, “A Noviça Rebelde” e “Sweet Charity”, além de um projeto de sua autoria, “7 – O Musical”. Também estão ensaiando “Gypsy” e fecharam contrato para encenar a nova versão de “Hair”. Na TV, conceberam os números do Cassino da Urca na minissérie global “Dalva & Herivelto”. Para oficializar de vez o prestígio, a coleção Aplauso lançou em Janeiro o livro “O Rei dos Musicais”, focado exclusivamente em suas realizações. Sem dúvidas, Moeller e Botelho são os maiores representantes da Broadway brasileira, numa época em que esta se prova tão completa quanto a estrangeira.

Uma introdução ao formato de fora: a Broadway corresponde a um ambiente altamente competitivo. Anualmente são lançados por lá os mais variados musicais, de conteúdo original ou adaptado – e todos devem apresentar um retorno financeiro imediato (grande parte advindo dos turistas de passagem pela metrópole). As regras são claras: se um musical não lota a casa, perde a vaga nos teatros maiores, e com sorte encontrará refúgio na Off-Broadway, com seus palcos menores e pressão mais moderada. A trajetória de “Spring Awakening”, que serviu de base para o nosso “Despertar da Primavera”, deu-se dentro dessas regras implícitas. Começou na Off-Broadway em 2006, e devido à excelente recepção de público e crítica, foi promovido para a primeira divisão ainda no mesmo ano. Já na Broadway, ganhou em 2007 oito dos principais Tony Awards, o dito Oscar do teatro americano, dentre os quais o de Melhor Musical.

O que as pessoas perceberam foi que “Spring Awakening” era um musical inteiramente novo. Dele exalava um frescor que não se encontrava em nenhum outro lugar na safra recente, abarrotada de pastiches retrôs e convenções cafonas. Um verdadeiro triunfo dos palcos contemporâneos, conseguiu ressuscitar uma controversa peça alemã, escrita por Frank Wedekind em 1891, e censurada por parte das décadas seguintes. Na trama, os jovens são vítimas da repreensão dos pais, dos educadores e da Igreja. Envoltos nas formalidades e hipocrisias da opressora sociedade germânica, são deixados no escuro à respeito de questões triviais, como as dúvidas sobre a própria sexualidade. Assim, um grupo de meninos e meninas terá de fazer todas as descobertas deste cunho por conta própria. Dessas inseguranças se distendem temas como masturbação, homossexualismo, incesto, suicídio e prostituição, coisas que o libreto de Steven Sater explora com sensatez.

Ainda mais dignas são as conversões desses assuntos espinhosos em música – a trilha, assinada por Sater em companhia de Duncan Sheik, aborda o inevitável sem apelações e sensacionalismos. Consegue um perfeito equilíbrio entre não amenizar os tópicos e não deixá-los cair no grotesco. E sempre com um diferencial: as canções tem um pé fincado no rock, estilo que só seria desenvolvido pelo menos meio século após aquele em que a história se passa. Não é inédito colocar os personagens entoando baladas futurísticas (foi o que Baz Luhrmann fez nos cinemas com o vigoroso “Moulin Rouge!”, por exemplo). Mas é uma técnica que, quando bem empregada, se revela charmosa, eficaz e irresistível. Note ainda que, dos musicais originais da Broadway, quase nenhum é bem-sucedido em lançar um álbum de pop e rock da melhor qualidade, que se enquadre no contexto da peça e que ao mesmo tempo escape dos floreios ultrapassados e das operetas tradicionais (o álbum em questão ganhou o Grammy, e as versões traduzidas por Cláudio Botelho – ótimas, por sinal – também foram gravadas em estúdio pelo elenco nacional).

Se o resultado final da montagem nova-iorquina já era esplendoroso, a roupagem brasileira o enriqueceu ainda mais. Isso porque Moeller e Botelho não tiveram, por contrato, a obrigatoriedade de fazer uma réplica do original, e gozando de liberdade criativa, incrementaram o que parecia intocável, com soluções ainda mais satisfatórias. Dentre as modificações, está o aumento do número de personagens – originalmente havia uma dúzia de jovens, seis garotas e seis rapazes; agora há quase o dobro, sendo que as novas aquisições fazem parte do coro e das novas coreografias, boladas por Alonso Barros. Também há diferenças na concepção do cenário, planejado por Rogério Falcão para esconder a orquestra (na Broadway os músicos ficavam visíveis ao fundo), e para que os atores se locomovam de maneira funcional. O primoroso trabalho de iluminação de Paulo César Medeiros complementa as mudanças. Esses voos criativos não só são válidos, como também importantes. Eles permitem que elementos próximos da nossa cultura sejam inseridos em algo pré-estabelecido, e – quando feitos por quem entende do ramo, como é o caso – não comprometem a reputação da fonte de inspiração. Pelo contrário: levam o padrão antigo um degrau acima.

Para que tudo funcione à risca, é indispensável ainda que o elenco esteja em sintonia – o que inclui encontrar dezenas de jovens com suficiente preparo para cantar e representar pelas mais de duas horas de espetáculo. Lá fora deu certo. Aqui, graças à bem conduzida peneira de testes, também. Através de cuidadosa seleção, foram descobertos rapazes e moças bastante proficientes, com acerto especial na escalação do trio principal. Malu Rodrigues, linda e com excelente controle vocal, ficou sendo a inocente Wendla; Pierre Baitelli é nosso Melchior, um rapaz que vive contestando o inconstestável; e Rodrigo Pandolfo é o trágico e desajustado Moritz. Há apenas dois adultos entre os integrantes, Eduardo Semerjian e Débora Olivieri, ambos substanciando todas as figuras de autoridade (ou seja, mostrando que em cada aspecto da vida daqueles garotos, a incapacidade de se comunicar com os mais velhos é a mesma). Com cada qual muito consciente de sua responsabilidade no espetáculo – e com as mãos santas de Charles Moeller e Cláudio Botelho no comando -, “O Despertar da Primavera” foi êxito no Rio durante os cinco meses em que ficou em cartaz. Comunicou-se especialmente bem com os jovens, mesmo com os que não costumavam frequentar teatro (alguns afirmam ter assistido a mais de dez sessões).

Os paulistanos dessa mesma faixa etária tem tudo para se identificar da mesma maneira. Mas o apelo não é restrito, e o musical é adequado a qualquer um, dos 14 aos 90 anos. Se você é de São Paulo, faça esse favor a você mesmo: vá ver “O Despertar da Primavera”. Idem para quem só está de passagem pela cidade. Não tem exemplar mais digno a ser conferido atualmente. Eu já vi sete vezes, e vou pelo menos outras catorze. Se algum leitor quiser esbarrar comigo na vida real, é só passar pelo Teatro Sérgio Cardoso, nas noites de Sexta a Domingo (a sessão de Quinta aparentemente foi cancelada). Estarei lá! Aliás, se você quiser marcar direitinho, eu vou pra lhe fazer companhia. Tente esse programa diferente. Balada já era! Você já foi uma porção de vezes e sempre fica de ressaca do dia seguinte. Vai lá, confira “O Despertar” e vá fazer uso daquele bordão dos palcos: “Se gostar, chame os amigos; se não gostar, chame os inimigos”. Com a diferença de que são quase nulas as chances de você ficar no segundo grupo.

.:. Teatro Sérgio Cardoso, Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista. (11) 3288-0136 ou (11) 3285-6092

Site Oficial (com direito a download do CD)

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LMFAO!

25 março 2010 4 comentários

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All new Glee

24 março 2010 8 comentários

Liberaram um novo promo de “Glee” e, sem surpresas, está incrível! Me arrepiei todo com a breve visão de Lea Michele entoando “Like a Prayer”. Não ligo se a série é cafona, se o enredo anda em círculos ou se as histórias não dão liga. Apesar de tudo isso, a série é irresistível, contagiante e imperdível. Vejam por vocês mesmos:

Também soltaram na internet um especial com Sue Sylvester, a personagem mais risível do programa (e talvez de toda a TV americana). Interpretada pela genial Jane Lynch, Sue é uma treinadora supremacista, cheia de conceitos e preconceitos, que atira seu ódio por toda e qualquer direção. Ela protagonizou os momentos mais engraçados dos treze episódios já exibidos, e promete continuar destilando o veneno nesse restinho de temporada. No vídeo abaixo (só para quem entende inglês, eu receio) ela aparece no seu segmento na TV local, implicando com os gays! Detalhe: Lynch é lésbica assumida na vida real.

Love Sue! Viva “Glee”!

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Florence of Ages, os álbuns do momento

23 março 2010 4 comentários

Sempre me pedem para postar um pouco mais sobre música, sobre o que tenho ouvido e recomendado por aí. Com a agenda tranquila do blog nessa semana, posso dedicar esse post a isso. Para começar, estou viciado em Florence + The Machine, que conheci graças à “Grey’s Anatomy”, no último episódio da série que assisti (afinal, apesar dos problemas, “Grey’s” sempre introduziu musiquinhas sensacionais, que casam lindamente com as cenas que acompanham). A música em questão, “Cosmic Love”, se tornou rapidamente uma das mais tocadas da minha playlist, e quando fui atrás do CD completo – entitulado “Lungs” -, descobri que não era exceção. O álbum inteiro é ótimo. A mulher à frente da banda é excepcional. Coloca tudo de si nas interpretações, puxa fôlego do útero e arrasa. O próximo CD vai ser tipo a segunda temporada de uma série que bombou logo de início. Será o atestado de qualidade, a tira-teima. E pela competência dos envolvidos, certamente será muito mais do que uma moda passageira! Abaixo está a música que me apresentou à Florence:

Você tinha ficado com a impressão de que “Glee” entregou a versão definitiva de “Don’t Stop Believin”? Pois achei uma ainda melhor, e de um show da Broadway! Conheci “Rock of Ages” por indicação de uma amiga, e quando fui procurar informações complementares tive a certeza de que preciso ver isso ao vivo (meu programa obrigatório para Nova York no meio do ano!). É um musical sem canções originais, tipo “Mamma Mia!” e “Across the Universe”. O plot é desenvolvido em torno de sucessos – só que dessa vez, não dos Beatles ou (Deus nos livre!) do Abba. Foram selecionadas as mais atemporais músicas dos anos 80, que o público conhece, gosta e sabe de cor (tanto que de acordo com essa amiga, muita gente se levanta e vai para o fundo do teatro curtir de pé). Dão até isqueiros para cada membro da plateia, para que possam iluminar as melodias mais românticas no escurinho. Concebido em Los Angeles, o musical foi levado para a Off-Broadway e então para a primeira divisão, tendo conseguido indicações nobres para o Tony. Também entrou para o Guinness Book no ano passado, pelo maior conjunto de guitarras tocando simultaneamente (o público levava seu próprio instrumento e acompanhava a orquestra)! Ou seja, tem tudo pra ser genial e inesquecível. Fiquem com uma performance espetacular do elenco de “Rock of Ages”!

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Multimeios

22 março 2010 5 comentários

Transpor uma série de TV bem-sucedida para os cinemas nem sempre é uma boa ideia. Ainda que financeiramente seja uma aposta segura para os estúdios, o resultado tende a desapontar ou a ficar restrito aos fãs do original. A esmagadora maioria dessas adaptações não tem a aparência de um filme, e sim de um episódio esticado, que os admiradores antigos acabam apreciando mais por saudosismo do que por qualquer outro motivo. Foi o que aconteceu com “Sex and the City” e “Arquivo X”, ou com “Os Normais” e “A Grande Família” aqui no Brasil.

Mesmas piadas em telas diferentes

Quando o seriado em questão parou de ser transmitido há muito tempo, mas ainda possui uma ampla legião de seguidores, inventam de repaginar a premissa, resgatando personagens em novos intérpretes, ou sugando só a ideia básica. Às vezes não dá em nada (vejam a bobagem que se revelou “As Panteras”, por exemplo), mas em geral tende a funcionar. “Miami Vice”, do Michael Mann, foi bacana; idem para “Agente 86″, com o Steve Carrell. Por aqui, “O Castelo Rá-Tim-Bum” se tornou com facilidade o melhor filme infantil gerado por nosso cinema. O diretor Cao Hamburger compreendeu as diferenças de uma tela para a outra, bolou mudanças pertinentes e as executou de maneira positiva.

Vira e mexe surgem boatos de que “Veronica Mars” e “Arrested Development”, que não foram muito bem compreendidos em suas passagens pela TV, possam ganhar uma sobrevida nos cinemas (ou mesmo num telefilme com o mesmo propósito). Os órfãos dessas duas preciosidades torcem para que os projetos saiam do papel. É arriscado, claro. Mas tem gente muito inteligente trabalhando por trás para impedir que erros fáceis sejam cometidos. Por outro lado, não sei se gostaria de ver “Friends” na telona. Em primeiro lugar, o elenco partiu pra outra, e quer a todo custo se desvencilhar dos personagens (o que quase ninguém conseguiu). De dinheiro eles não precisam: fizeram seu pé-de-meia nos dez anos em que a série ficou no ar, e ainda ganham bicas com as reprises e vendas de DVD. Por ser sitcom, “Friends” também nos acostumou com as risadas da plateia, e seria no mínimo estranho reencontrá-los “a seco”, sem claque.

O mais novo seriado disposto a fazer essa transição é o inglês “Skins”. Famoso por retratar a adolescência sem as caramelizações dos programas americanos, conseguiu ter duas temporadas interessantes, mas não resistiu à troca dos personagens principais e derrapou feio daí em diante. Como deixei de acompanhar, não sei se a série chegou a se levantar no restante da season 3, ou mesmo nessa 4. Também não sei o que esperar do filme, nem dos personagens que estarão inclusos. Da galera original, a maioria se mandou, procurando novos horizontes. E alguns até deram certo: Dev Patel foi o protagonista de “Quem Quer Ser Um Milionário?”, e Nicholas Hoult, que quando criança fez “Um Grande Garoto”, é o aluno que seduz Colin Firth em “Direito de Amar”.

A nova geração de Skins

Também há quem faça o caminho oposto: filmes cultuados que dão origem à séries de TV honônimas. É assim com a recente “Parenthood”, inspirada no longa de Ron Howard. Também é o caso de “Friday Night Lights” (baseado num filme inspirado num livro!), “Eastwick” e “10 Coisas Que Eu Odeio Em Você”, só pra citar algumas atuais. E não para por aí. “Ugly Betty” tomou o escopo da telenovela colombiana. “True Blood”, “Flashforward”, “Gossip Girl” e “The Vampire Diaries” vieram dos livros. “Californication” e “Life on Mars” foram desdobradas a partir do título de músicas conhecidas! “Battlestar Galactica” e “V” são refilmagens de outras séries de TV. “90210″ e “Melrose Place” são sequências! Pois é, quando eu ia me convencendo de que a televisão americana está com tudo, começo a ponderar se existe, de fato, algo inteiramente fresco e original a partir dela. O que vocês acham?

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Cinema musical

21 março 2010 4 comentários

Estou viciado em “Spring Awakening”, ouvindo dia e noite a trilha sonora e conferindo, sempre que possível, a versão nacional (em cartaz de Quinta à Domingo, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo)! Os direitos para transpor esse musical para o cinema já foram comprados. O que desanima: McG foi quem mais mostrou interesse em dirigir o projeto. Ele não é muito notável em nada; fez os dois filmes de “As Panteras” e o quarto volume de “O Exterminador do Futuro”, e só subiu um pouco no meu conceito pelos seus feitos na TV (é produtor-executivo de “Supernatural”, minha nova paixão, e “Chuck”, que também é legal). Nada que o credencie a conduzir um musical, ainda mais um que aborde temas tão ingratos. Mas resta a esperança de que ele tenha sido tocado pela história e que isso motive uma evolução profissional. No clima, vou comentar um pouquinho sobre musicais bem-sucedidos da Broadway, transpostos para o cinema com ou sem o mesmo êxito:

* Chicago (Idem, 2002, dirigido por Rob Marshall): Falar mal de “Chicago” é carne de vaca. O filme realmente não tinha cacife para ser o grande vencedor do Oscar em seu respectivo ano, e a campanha insistente de Harvey Weinsten só estimulou a antipatia. Mas está muito longe de ser ruim. É bem bom, aliás. Exponencialmente melhor que a nova investida de Marshall, o medíocre “Nine”. Há erros graves na escalação dos atores, em especial Renée Zellweger como a protagonista (uma moça obcecada por teatro-musical, que depois de ir presa por matar o amante, passa a imaginar que tudo a seu redor é um número extravagante de cabaret), e Richard Gere como o advogado malandro. Os acertos – Catherine Zeta-Jones, Queen Latifah, John C. Reilly e os demais cameos – compensam pelas falhas. A “punch line” deveria ser uma crítica ao sistema judicial americano, ao sensacionalismo que a imprensa extrai dos casos, e ao fato da criminalidade e da celebridade sempre andarem juntas. As músicas são boas, as coreografias impressionam, e toda a parte técnica é louvável. Cotação: A-

* Hairspray (Idem, 2007, dirigido por Adam Shankman): Depois de conferir a discutível versão nacional de “Hairspray”, decidi rever o filme homônimo de 2007, baseado no musical da Broadway em questão. E não é que minha percepção cresceu bastante? Tendo contato com o material original fica mais fácil apreciar certas opções, e perceber que algumas passagens foram condensadas da melhor maneira possível. As canções ainda soam irregulares, mas já não reclamo mais do excesso de números desnecessários, visto que limaram outros ainda mais banais no processo. O visual é bacana, as gravações ficaram bastante profissionais, e a vibe é muito mais contagiante que a do blefe “Mamma Mia!”, que o povo costuma ter em maior estima. Até do John Travolta eu gostei! Aliás, todos do elenco, com exceção da chatinha e efusiva Nikki Blonsky, caem como uma luva em seus papeis. Diversão na certa! Cotação: B+

* Rent – Os Boêmios (Rent, 2005, dirigido por Chris Columbus): O diretor abriu mão de “Harry Potter” (e sua desistência foi um verdadeiro ganho para a saga do bruxinho) para se focar na adaptação desse musical. Já fazia sucesso na Broadway há muitos anos, mas talvez só tenha estourado porque o letrista Jonathan Larson morreu logo após o ensaio geral. Na trama, jovens considerados estorvos pela sociedade perambulam por Nova York, invadindo prédios abandonados (“squatting”) e se recusando a pagar o aluguel. Passam a cantar sobre os seus problemas e frustrações, que não são poucos, já que a AIDS está no auge e todos eles, pelas vidas desvirtuadas que levam, fazem parte do grupo de risco. Quase todo o elenco original foi mantido aqui, apesar de já estarem velhos demais para os tipos em que deveriam se encaixar. Mas a trilha puxada para o rock é discutível, os números comandados por Columbus são insípidos, e o enredo – mesmo passando por assuntos sérios – não emociona. Para quem não está acostumado com musicais, pode virar tortura! Cotação: C-

E qual a sua postura em relação aos musicais?

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Ouvindo séries

20 março 2010 3 comentários

O vídeo abaixo está se tornando sensação na internet: um rapaz gravou a si mesmo tocando violão e teclado, e depois combinou as duas filmagens numa sincronia incrível (há quem acredite que há duas pessoas aí). O bacana é que ele interpreta temas conhecidos de várias séries de TV. Veja quantas você reconhece, antes de identificarem com a vinheta:

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